quarta-feira, 21 de março de 2012

Aos enfraquecidos da luta

Almas enfraquecidas, que tendes, muitas vezes, sentido sobre a fronte o sopro frio da adversidade, que tendes vertido muitos prantos nas jornadas difíceis em estradas de sofrimentos rudes, buscai na fé, os vossos imperecíveis tesouros.

Bem sei a intensidade da vossa angústia e sei de vossa resistência ao desespero. Ânimo e coragem! No fim de todas as dores, abre-se uma aurora de ventura imortal; dos amargores experimentados, das lições recebidas, dos ensinamentos conquistados à custa de insano esforço e de penoso labor, tece a alma sua auréola de eternidade gloriosa; eis que os túmulos se quebram e da paz cheia de cinzas e sombras, dos jazigos, emergem as vazes comovedoras dos mortos. 

Escutai-as!... elas vos dizem da felicidade do dever cumprido, dos tormentos da consciência nos desvios das obrigações necessárias.

Orai, trabalhai e esperai. Palmilhai todos os caminhos da prova com destemor e serenidade.

 As lágrimas que dilaceram, as mágoas que pungem, as desilusões que fustigam o coração, constituem elementos atenuantes da vossa imperfeição, no tribunal augusto, onde pontifica o mais justo, magnânimo e integro dos juízes.

 Sofrei e confiai, que o silêncio da morte é o ingresso para uma outra vida, onde todas as ações estão contadas e gravadas as menores expressões dos nossos pensamentos.

Amai muito, embora com amargos sacrifícios, porque o amor é a única moeda que assegura a paz e a felicidade no Universo.

Emmanuel

segunda-feira, 19 de março de 2012

Yvone do Amaral Pereira


Véspera de Natal de 1900, seis horas da manhã, na pequena vila de Santa Tereza de Valença, hoje rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro, renasce em lar espírita Yvonne do Amaral Pereira, primogênita do casal Manoel José Pereira Filho e Elizabeth do Amaral Pereira. 

Teve cinco irmãos, além de outro mais velho, filho do primeiro casamento de sua mãe.

Seu pai, pequeno comerciante, homem generoso de coração e desprendido dos bens materiais, faliu por três vezes por favorecer a clientela em prejuízo próprio.

Tornou-se, pouco depois, funcionário público, de cujos parcos proventos viveu até sua desencarnação, em 1935.

Yvonne viveu em lar pobre e modesto. Aprendeu com os pais a servir os mais necessitados, pois em sua casa eram acolhidos com carinho pobres criaturas sem recursos, inclusive mendigos.

Contam seus biógrafos que, com 29 dias de nascida, depois de um acesso de tosse, sobreveio uma sufocação que a deixou como morta, em estado de catalepsia.
Durante 6 horas permaneceu nesse estado.

O médico e o farmacêutico atestaram a morte por sufocação. 
O velório foi preparado. A suposta defunta foi vestida com grinalda e vestido branco e azul, e o caixão encomendado.

 A mãe, que não acreditava que a filha estivesse morta, retirou-se para um aposento, onde orou fervorosamente a Maria de Nazaré, pedindo que a situação fosse definida. 

Instantes depois, a criança acordou em prantos.
Sua infância foi povoada de fenômenos espíritas, muitos deles narrados no livro Recordações da Mediunidade. 

Aos 4 anos já se comunicava com os Espíritos, que considerava pessoas normais, encarnadas. Duas entidades lhe eram particularmente caras. O espírito Charles, que fora seu pai carnal e a quem considerava como tal, devido a lembranças vivas de uma encarnação passada. Foi seu orientador durante toda a sua a vida, inclusive nas atividades mediúnicas.

O espírito Roberto de Canalejas, que fora médico espanhol em meados do século XlX, era a outra entidade pela qual nutria um profundo afeto e com a qual tinha ligações espirituais de longa data. 

Mais tarde, na vida adulta, manteria contatos mediúnicos regulares com outras entidades evoluídas, como o Dr.Bezerra de Menezes, Camilo Castelo Branco e Frédéric Chopin.

Aos 8 anos repetiu-se o fenômeno de catalepsia, associado a desprendimento parcial.

 Aconteceu à noite e a visão que teve marcou-a pelo resto da vida. 

Em espírito, foi parar ante uma imagem do “Senhor dos Passos”, na igreja que freqüentava. Pedia socorro, pois sofria muito. A imagem, então, cobrando vida, dirigiu-lhe as seguintes palavras : “Vem comigo, minha filha, será o único recurso que terás para suportar os sofrimentos que te esperam”. Aceitou a mão que lhe era estendida, subiu os degraus e não se lembra de mais nada.

De fato, Yvonne Pereira, foi uma criança infeliz. Vivia acossada por uma imensa saudade do ambiente familiar que tivera na sua última encarnação na Espanha e que lembrava com extraordinária clareza. 

Considerava seus familiares, principalmente seus pais e irmãos, como estranhos . Para ela, o pai verdadeiro era o espírito Charles e a casa, a da Espanha. 

Esses sentimentos desencontrados e o afloramento das dificuldades mediúnicas faziam com que tivesse comportamento considerando anormal por seus familiares. 

Por esse motivo, até os dez anos, passou a maior parte do tempo na casa da avó paterna.

Em ambientação reencarnatória propícia, teve aos 8 anos o primeiro contato com um livro espírita. Aos 12, o pai deu-lhe de presente “O evangelho segundo o Espiritismo” e O livro dos Espíritos, que a acompanharam pelo resto da vida, sendo a sua leitura repetida um bálsamo nas horas difíceis. 

Aos 13 anos começou a frequentar as sessões práticas de Espiritismo, que muito a encantavam, pois via os espíritos comunicantes. 

Teve como instrução escolar apenas o curso primário. Não pôde, por motivos econômicos , fazer outros cursos, o que representou uma grande provação para ela, pois amava o estudo e a boa leitura, tanto que, aos 16 anos, já tinha lido obras de grandes autores como Goethe, Bernardo Guimarães , José de Alencar, Alexandre Herculano e Arthur Conan Doyle. 

Desde cedo teve de trabalhar para o seu próprio sustento.
O fenômeno de catalepsia foi comum na sua vida a partir dos 16 anos. 

A maior parte das reportagens de além-túmulo, dos romances, das crônicas e contos relatados por Yvonne Pereira foram coletados no mundo espiritual através deste processo. 

A sua mediunidade, porém , foi diversificada. Foi médium psicografa e receitista, assistida por entidades de grande elevação, como Bezerra de Menezes, Charles, Roberto de Canalejas e Bittencourt Sampaio.

Possuía mediunidade de efeitos físicos, chegando a realizar algumas sessões de materialização, mas nunca sentiu atração por esta modalidade mediúnica.

 Os trabalhos que mais gostava de fazer, no campo da mediunidade, eram os de desdobramento, incorporação e receituário homeopático. 

Nessa última atividade trabalhou em diversos centros espíritas de várias cidades em que morou durante seus 54 anos de labor mediúnico.

Como médium psicofônica , pôde entrar em contato com obsessores, obsidiados e suicidas, aos quais devotava um carinho especial sendo que muitos deles tornaram-se espíritos amigos. 

Costumava ler nos periódicos e jornais nomes de suicidas e orava por eles constantemente, catalogando-os num livro de preces criado por ela. 

Era o que fazia como forma de reparação ao seu suicídio pretérito por afogamento. Passado algum tempo, muitos deles vinham agradecer-lhe as orações e davam-lhe fortes abraços passeando com ela de braços dados pelo casarão em que morava, sem que ela, confusa, soubesse distinguir se o visitante era encarnado ou desencarnado...

Pelo desdobramento noturno Yvonne Pereira visitava o mundo espiritual, amparada por seus orientadores, coletando as crônicas, contos e romances com os quais hoje nos deleitamos.

Deixou 20 obras de sua lavra mediúnica, entre as quais Memórias de um Suicida, considerada por Chico Xavier a que melhor retrata a profundeza do Umbral. 

Este livro, ditado pelo espírito Camilo Castelo Branco, que usou o pseudônimo de Camilo Cândido Botelho, foi recebido em 1926, mas editado somente 30 anos depois, em 1956, pela FEB.

São também de sua autoria os seguintes livros: Nas telas do Infinito, Amor e Ódio, Nas voragens do Pecado, O Drama da Bretanha, Cavaleiro de Numiers, Ressurreição e Vida, Sublimação, Dramas da Obsessão, Devassando o Invisível, Recordações da Mediunidade, tendo como autores espirituais Bezerra de Menezes, Charles, Leão Tolstoi e Roberto de Canalejas.

Embora conhecesse bem a arte poética, jamais psicografou qualquer poema.

Deixou uma série de 10 livros destinados ao público infanto-juvenil, recebidos por intuição e supervisionados por Bezerra de Menezes e Leon Denis, livros que ainda não vieram a lume.

Diz Yvonne, em entrevista a Jorge Rizzini em 1972: “a formação do meu caráter foi feita pelo Dr.Bezerra”. Segui sempre os conselhos dele. Mas houve outros espíritos que me guiaram, como Bittencourt Sampaio e Eurípedes Barsanulfo, com quem trabalhei muito, principalmente em curas de paralíticos.

“A maior parte de sua atividade Mediúnica foi exercida em Lavras-MG e outras cidades de Minas Gerais”.

Foi esperantista convicta e trabalhou arduamente na sua propaganda e difusão, através de correspondência que mantinha com outros esperantista, tanto no Brasil quanto no exterior.

Yvonne Pereira serviu como médium de 1926 a 1980, quando um acidente vascular cerebral impossibilitou-a para a atividade mediúnica.

Sempre humilde, terna e vivaz, morava num casarão em Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro, em companhia de sua irmão casada , Amália Pereira Lourenço, também espírita.

Na noite de 09 de março de 1984, vitimada por trombose, desencarnou durante uma cirurgia a que se submetera no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro. 

Seu corpo foi sepultado no cemitério de Inhaúna. Tinha 83 anos e mantivera-se solteira, cumprindo dignamente o mandato mediúnico exercido com amor e total devotamento ao semelhante.

sábado, 17 de março de 2012

Os heróis da era nova


Programada a vinda de Jesus-Cristo à Terra, as Coortes espirituais apresentaram-se espontaneamente para contribuir da melhor maneira possível em favor do messianato divino.

Na política, na arte, na filosofia, tomaram o corpo físico Espíritos nobres que deveriam desempenhar papel de relevância, a fim de que a doutrina do amor encontrasse ressonância na sociedade sedenta de alucinações e prazeres.

O Império Romano ainda se encontrava em plena glória, a grandeza das conquistas e o Fausto deslumbrante dominavam quase toda a Terra conhecida, demonstrando o poder da força das legiões e da habilidade do governo central.

As antes famosas cidades gregas, ora em declínio, contribuíam com filhos ilustres para a grandeza de Roma, na condição de pedagogos, médicos e servidores, embora ainda ostentassem as magníficas edificações do passado e sua cultura permanecesse esplendorosa, apesar da ausência dos grandes filósofos de outrora.

Éfeso erguia-se suntuosa, derramando-se próxima das águas azuis-turquesa do Egeu, em pleno Fausto da Jônia, na Anatólia, visitada pelos romanos ilustres e outros povos que vinham negociar habilmente e distrair-se nos seus banhos e teatros espetaculares…

Ali encontrava-se o famoso templo de Ártemis, a deusa da abundância – anteriormente Cibele e mais tarde Diana, a caçadora – uma das sete maravilhas do mundo antigo. As grandiosas colunas que o ornavam, produziam deslumbramento nos visitantes e podiam ser notadas desde o mar, a quase cinco quilômetros de distância….

Destruído e reconstruído várias vezes, incendiado por um louco, os seus escombros denotam, ainda hoje, a audácia e a beleza dos seus construtores, inclusive Praxíteles e Escopas, dois dos mais famosos do mundo que o enriqueceram com estátuas extraordinárias e perfeitas. A deusa era elaborada em mármore polido e ornada de ouro, apresentando as características da exuberância…

Por Éfeso passaram filósofos, que lá viveram e legaram à humanidade páginas de inconfundível beleza, quais foram Heráclito (de Éfeso) e Tales de Mileto…

Situada em um ponto importante, que liga o Oriente ao Ocidente, era um local de cruzamento entre Mileto e a Jônia.

A cidade, envolvente e tumultuada, nas terras de Esmirna, repousava desde então em verdejante vale cercado de montanhas altaneiras e protetoras, proporcionando-lhe temperaturas agradáveis, embora úmidas, nas diferentes épocas do ano.

Suas festividades em abril chegavam a atrair um milhão de pessoas, embora fosse habitada por umas duzentas e cinqüenta mil, que vinham das redondezas, assim como de distantes terras, quais Jerusalém e Atenas…



Foi embelezada por atenienses, espartanos, romanos e conquistadores diversos, entre os quais o rei Creso da Lídia, egípcios, persas, Alexandre Magno da Macedônia, vencida e ressuscitada por turcos, bizantinos, otomanos, havendo exercido, no seu esplendor, uma grande importância para o Cristianismo nascente, com quase dois mil anos desde quando fundada, antes que os jônios a dominassem no século XI a.C.

Durante o cruel reinado de Cláudio, que expulsou os judeus de Roma, Paulo, que se encontrava em Atenas, desceu na direção de Jerusalém, passando por Corinto, onde se fez acompanhar pelos amigos queridos Áquila e Prisca, visitando outras cidades e chegando a Éfeso, ali apresentando a sua primeira exposição sobre Jesus, na sinagoga local.

Depois, embora solicitado para que ficasse por mais tempo, prometeu retornar, dali seguindo a Cesaréia, de onde rumou a Jerusalém…

Nesse ínterim, um erudito judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, trouxe o verbo inflamado a Éfeso iluminando as consciências que se lhe acercavam, dando-lhes conhecimento da mensagem de Jesus.

A cidade-capital foi beneficiada pelo apostolado de Paulo, que ali viveu por vários anos e, posteriormente, por João, que iniciou, nas suas terras, a escrita das suas memórias, que passou à posteridade como o seu Evangelho, tendo erguido sua residência num dos montes periféricos da cidade, onde, mais tarde, passou a residir, até a sua desencarnação, a Mãe Santíssima da Humanidade.

A casinha de pedras foi erguida nos arredores da cidade, em uma encosta, a 350 metros acima do nível do mar entre oliveiras e verdejante relva, mas de onde se podia vê-lo…

Os enfrentamentos entre os pensadores gregos, efésios e outros, aferrados aos deuses ancestrais do seu panteão, e os ministros do Evangelho nascente fizeram-se formosos dialeticamente e agressivos emocionalmente.

Ao mesmo tempo, o farisaísmo, que predominava nas sinagogas erguidas em toda parte onde viviam os judeus, sempre se levantava com ferocidade para combater Jesus e naturalmente aqueles que se Lhe fizeram mensageiros, conduzindo ao cárcere, muitas vezes, esses notáveis Espíritos que jamais desfaleciam nas refregas ou temiam qualquer tipo de hostilidade.

Paulo de Tarso, que ali esteve por diversas vezes, demonstrou com eloqüência incomum a grandeza da palavra do Crucificado nazareno sensibilizando os ouvintes que se multiplicavam, dando início à construção das primeiras células de discípulos cristãos, conforme os denominara Lucas...

Numa dessas ocasiões, no auge do entusiasmo, o apóstolo dos gentios declarou que Jesus se encontrava acima de todos os deuses, naturalmente incluindo Ártemis, que era fonte de renda para a cidade e para artesãos, funcionários, sacerdotes e exploradores em geral…

Um joalheiro famoso de nome Demétrio, que produzia miniaturas de prata da deusa, tomando conhecimento de que os deuses fabricados pelos humanos não eram sagrados, conforme Paulo proclamara, receou que a deusa perdesse o prestígio e, por conseqüência, ele e os demais artesãos ficassem seriamente prejudicados, deu início a um movimento que atraiu tanta gente ao grande Teatro, gritando Ártemis de Éfeso é grande, recitando orações e homenagens, que o ato redundou num pleito, quando as autoridades, por fim, convidaram o apóstolo a abandonar a cidade…

Logo depois, João deu início ali ao seu ministério de amor, atraindo verdadeiras multidões que o ouviam fascinadas.

Ele e Paulo tornaram-se os ministros do reino de Deus, enfrentando as vãs filosofias e apresentando a incomparável mensagem do amor do Mestre, atitudes essas que os levaram ao testemunho por diversas vezes, sem os abater ou os atemorizar.

A coragem desses heróis da Era Nova constitui um dos grandes e fascinantes estímulos para todos quantos desejam servir ao Bem, porquanto nada havia que os intimidasse ou lhes diminuísse o entusiasmo no trabalho a que se entregavam.

Humilhações, suplícios, cárcere e morte não lhes constituíam impedimento à divulgação da Verdade, tão impregnados se encontravam da certeza da imortalidade do Espírito, que as suas vidas ainda hoje constituem modelos de abnegação e de sacrifício comovedores.

Foram eles e muitos outros que se olvidaram de si mesmos para permitirem que Jesus prosseguisse arrebanhando as multidões, que a Mensagem de Luz chegou aos dias modernos, embora as alterações que sofreu, conservando, no entanto, a sua pulcritude nos conteúdos insuperáveis do amor, da compaixão, da humildade, do perdão, da caridade e da sobrevivência espiritual, ainda conduzindo milhões de vidas na direção do Mestre Insuperado.

Nenhuma edificação do Bem alcança a sua gloriosa destinação dispensando os heróis da abnegação e da renúncia. Incompreendidos, no início, suportam as dificuldades mais sérias confiantes no resultado dos esforços, vencendo as intempéries de todo tipo e os enfrentamentos mais covardes e rudes, traiçoeiros e ignóbeis, firmes na decisão, até o momento em que o triunfo do ideal os aureola com o martírio demorado…

O Cristianismo é a saga de homens e mulheres admiráveis que, fascinados por Jesus, tudo abandonaram para melhor O servirem, vencendo distâncias imensas sob o Sol inclemente e as chuvas torrenciais, dominados pela presença d’Aquele que nunca os abandonou, conforme lhes houvera prometido.

Sucederam-se os séculos, e, periodicamente, eles retornaram às grandes Éfesos terrestres, sacudindo a comodidade e revolucionando as idéias, firmes no convite à transformação moral e ao amor em plenitude, pagando o alto preço da audácia da fé que não se mancomuna com os interesses sórdidos dos comensais da ilusão.

Com o advento do Espiritismo, trazendo Jesus e Sua mensagem de volta, os desafios fizeram-se inadiáveis e, desde os dias de Allan Kardec, Espíritos portadores de grande vigor moral tomaram a indumentária carnal para levarem a Nova Revelação à humanidade distraída e desinteressada do reino de Deus…

Pagando altos preços de incompreensões e calúnias perversas, de competições desastrosas e perseguições doentias, ei-los seguindo altaneiros com os sentimentos colocados no Mestre de amor, superando-se a si mesmos e pondo marcos definidores dos tempos, a fim de que aqueles que virão depois deles dêem prosseguimento ao programa de libertação e de felicidade.

Eles sabem que são os desbravadores, os audazes desmatadores da ignorância e que o seu ministério é o de quebrar os tabus, vencer as hostilidades, suportar o peso das injunções penosas, facilitando a tarefa dos porvindouros apóstolos do Bem.

Incansáveis, prosseguem, anônimos uns, conhecidos outros, todos porém unidos na Causa comum da Doutrina Espírita, de forma a torná-la conhecida pelas suas palavras lúcidas e sábias, respeitada pelos seus atos desataviados e transparentes, pela sua coragem de não revidar o mal com outro mal, uma com outra calúnia, não se permitindo transformar em inimigo de outrem, mesmo que esse lhe seja inimigo, felizes e certos da vitória final.

Esses heróis que se consomem, na condição de combustível do lume que derrama claridade por onde passam, encontram-se sob o amparo do seu Senhor, conforme Paulo, João evangelista, Barnabé, Pedro, Tiago… e todos os pioneiros da nascente doutrina de Jesus que modificou a história da sociedade, preparando o campo de lutas para este momento de ciência, de tecnologia, de conhecimentos filosóficos e éticos, de arte e beleza, de telecomunicações e convivência virtual, quando o Espiritismo implantará na Terra, com os seus paradigmas grandiosos, a sociedade feliz e livre da ignorância para sempre.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Medo da morte



Não devemos temer a morte; devemos temer, antes, uma má vida, que é pior que a morte.

A morte não é a da matéria, porque o que se dá nesse caso não é uma morte no sentido de fim; mas uma transformação.

 A nossa matéria ressurge então sob nova forma, assim como o grão que, aparentemente morto quando enterrado na cova, ressurge para o bem do próprio homem.

A verdadeira morte é a morte moral, essa que mata o conceito e liquida a credibilidade do homem; que traz o remorso que aniquila a consciência; que faz com que o homem se envergonhe de se olhar num espelho.

Teme mais a morte do corpo aquele que já se acha moralmente morto; o que se envergonha do presente e teme o futuro, porque tem contra si o libelo dos próprios atos, da conduta reprovável.

Quer dizer, o que leva o homem a temer a morte, a apavorar-se diante da idéia de morrer, não é simplesmente o instinto de conservação, nem a ignorância em relação à vida. É acima de tudo a consciência culpada.

Os mártires caminhavam para morte sem medo, transbordantes de esperanças, cantando até, tal como ocorreu com os primeiros cristãos levados às feras nos circos e às fogueiras da Inquisição.

Já os grandes tiranos, os grandes culpados sempre fugiram e ainda fogem hoje da morte. A ameaça da morte os atormenta em todos os tempos. Consta que a toda poderosa Elizabeth da Inglaterra, que mandara decapitar a prima Maria Stuart, da Áustria, oferecia no leito de morte todo o seu reino por mais um minuto de vida. 

Nuremberg até hoje procura os exterminadores de judeus, os responsáveis pelos grandes holocaustos e genocídios, que escreveram com sangue as páginas de horror da história da humanidade. Estes já estão moralmente mortos, punidos pelo tribunal da própria consciência culpada.

A morte é diferente, porém, nas expectativas do homem de consciência limpa. O mártir Sebastião não a temeu. E, mesmo tendo que a enfrentar, mais cedo ou mais tarde, quer na quitação dos débitos, quer nas imposições do testemunho de sua fé e do ideal superior, ele saberá repetir com toda a força da alma o desafio que Paulo lançou para sempre, através do capítulo 8,55 da sua primeira epístola aos Coríntios: “Ò morte, onde está a tua vitória? Onde está o teu agulhão?”

quarta-feira, 14 de março de 2012

Promoção

Quando o fracasso nos desafia de perto...

Quando a tentação e a enfermidade nos visitam...

Quando a nossa esperança se dissolve no sofrimento...

Quando a provação se nos afigura invencível...

Quando somos apontados pelo dedo da injúria...

Quando os próprios amigos nos abandonam...

Quando todas as circunstâncias nos contrariam...

Quando a mágoa aparece...

Quando incompreensão nos procura, ameaçadora...

Quando somos intimados a esquecer-nos, em benefício dos outros...

Então, é chegado para nós o teste de aproveitamento espiritual, na escola da vida, para efeito de promoção.

Albino Teixeira

segunda-feira, 12 de março de 2012

O fim do mundo - 1ª parte (vídeo)

Pequenas regras de desobsessão

Procure:
Mais do que saber – dominar-se;
Mais do que agir – elevar;
Mais do que estudar – aprender;
Mais do que pensar - discernir;
Mais do que falar – educar;
Mais do que aconselhar – servir;
Mais do que escutar – compreender;
Mais do que perdoar – amparar;
Mais do que sofrer – resignar-se;
Mais do que amar – sublimar;

Quando nos expressamos, usando o modo imperativo do verbo, não queremos dizer que nós outros – os amigos domiciliados no Mais Além – estejamos a cavaleiro dos obstáculos e dificuldades que oneram os companheiros do mundo.

Todos estamos ainda vinculados à Terra. E, na Terra, tanto adoece o cientista que cria o remédio, em favor dos enfermos, quanto os clientes que lhe desfrutam os recursos, quanto os clientes que lhe desfrutam os recursos da inteligência; tanto carrega problemas o professor que ensina, quanto o aprendiz que se lhe beneficia do apoio cultural. Assim também na desobsessão.

Todos os apontamentos que se relacionam com o assunto tanto se dirigem aos outros quanto a nós.

André Luiz

domingo, 11 de março de 2012

A felicidade

A busca da felicidade sempre foi e continua sendo um procedimento constante do ser humano.

Na questão 920 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta:
O homem pode gozar de completa felicidade na Terra?

E os Espíritos superiores respondem:

“Não, porque a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Mas depende dele amenizar os seus males e ser tão feliz quanto possível na Terra.”

Na questão 921, o Codificador comenta e indaga:

Concebe-se que o homem será feliz na Terra quando a Humanidade estiver transformada.
Mas, enquanto isso não acontece, poderá conseguir uma felicidade relativa?

“O homem é quase sempre o artífice da sua própria infelicidade. Praticando a Lei de Deus, ele pode poupar-se de muitos males e alcançar felicidade tão grande quanto o comporte a sua existência grosseira.”

Na questão seguinte, a 922, continua explorando o assunto:

A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um. O que basta para a felicidade de um, constitui a desgraça de outro. Haverá, contudo, algum critério de felicidade para todos os homens?

“Para a vida material, é a posse do necessário; para a vida moral, a consciência tranquila e a fé no futuro.”

 Como se observa das informações dos Espíritos superiores é fundamental, à construção da felicidade que todos buscamos, a fé no futuro, para a qual a Doutrina Espírita contribui trazendo a convicção da nossa própria condição de Espíritos imortais em constante processo de evolução.

A Doutrina Espírita esclarece-nos, ainda, que a Lei de Deus está inscrita em nossa própria consciência, e, para que tenhamos uma consciência tranquila, é necessário que coloquemos em prática a Lei de Deus. Basta isso para conseguirmos oferecer a todos os seres humanos, dentro do princípio da solidariedade social, a posse do necessário, que é a condição básica para a felicidade na vida material.

Como se constata, a conquista da nossa felicidade, relativa ou permanente, depende apenas de nós.

sábado, 10 de março de 2012

Imunização Espiritual


Se te decides, efetivamente, a imunizar o coração contra as influências do mal, é necessário te convenças:

Que todo minuto é chamamento de Deus à nossa melhoria e renovação;

Que toda pessoa se reveste de importância particular em nosso caminho;

Que o melhor processo de receber auxílio é auxiliar em favor de alguém;

Que a paciência é o principal ingrediente na solução de qualquer problema;

Que sem amor não há base firme nas construções espirituais;

Que o tempo gasto em queixa é furtado ao trabalho;

Que desprezar a simpatia dos outros, em nossa tarefa, é o mesmo que pretender semear um campo sem cogitar de lavrá-lo;

Que não existem pessoas perversas e, sim, criaturas doentes a nos requisitarem amparo e compaixão;

Que o ressentimento é sempre foco de enfermidade e desequilíbrio;

Que ninguém sabe sem aprender e ninguém aprende sem estudar;

E que, em suma, não basta pedir aos céus, através da oração, para que baixem à Terra, mas também cooperar, através do serviço ao próximo, para que a Terra se eleve igualmente para o céus.

Emmanuel

Batuíra (1839 - 1909)


Nascido a 19 de março de 1839, em Portugal, na Freguesia de Águas Santas, hoje integrada no Conselho da Maia, e desencarnado em São Paulo, no dia 22 de janeiro de 1909.
Completada a sua instrução primária, veio para o Brasil, com apenas onze anos de idade, aportando no Rio de Janeiro, a 3 de janeiro de 1850.