domingo, 10 de fevereiro de 2013

Os fantasmas da mente

Revendo arquivos e arquivos espirituais, assinalamos quedas lamentáveis daquelas almas chamadas pelo Senhor, em todos os tempos, a compromissos na Seara do Aperfeiçoamento Humano e, especialmente, neste último século, as que foram convocadas para servir à Doutrina Espírita. 

Justo, assim, venhamos a destacar que dentre todas as provas humanas em que sucumbem os tarefeiros mais promissores, três existem mais graves e mais frequentes: o abuso da autoridade, o envilecimento do sexo e a paixão do dinheiro. 

Vejamos alguns exemplos. 

Nos excessos do poder, surpreendemos, a cada passo: a concorrência a posições destacadas nas galerias de mando terrestre, em prélios acirrados e violentos, nos quais grandes esperanças e sublimes projetos da Espiritualidade são impiedosamente exterminados nos desvarios da inteligência; a transposição de forças, que deveriam ser criteriosamente aproveitadas nas construções doutrinárias, para o endeusamento da personalidade e consequente procrastinação de serviços ligados à emancipação coletiva e ao aprimoramento humano.

 Nos desregramentos afetivos são comuns: a fuga aos compromissos sentimentais assumidos, com a destruição de uniões e lares organizados pela esfera superior, na condição de bases destinadas à reencarnação de elevados missionários dispostos a contribuir na redenção da Terra, exalçando o futuro; a rendição da pessoa às teias da aventura emocional, em cujos fios viscosos pululam entidades vampirizantes, interessadas na hipnose de condição inferior, sob a qual tombam numerosas almas sensíveis, situadas no campo terrestre para feitos gloriosos da mediunidade.

 Nos delírios da usura repontam calamidades das mais encontradiças: a capitulação diante de tentações infelizes, no manuseio de altas subvenções dessa ou daquela procedência, em cuja trama caracteres bem intencionados se vêem envolvidos nos jogos da apropriação indébita, fantasiada de competência; a vinculação gradativa a propinas douradas, à margem do serviço fraterno, propelindo sorrateiramente a criatura para os desvios absconsos do profissionalismo religioso.

 Os Espíritos Mentores permitem que o seareiro do bem seja testado, de modo a lhe verificarem as forças para que se lhe dilatem encargos e ações.

 Geralmente, o companheiro em falência não é a única pessoa a se prejudicar em semelhantes defecções e, por esse motivo, às vezes, os Orientadores Maiores julgam mais acertado que o problema surja de imediato, para prevenir quedas futuras, piores e mais espetaculares de comunidades inteiras.

 Todos os caminhos da obsessão disfarçada, que apontamos, constituem aferidores espirituais dos cultivadores do bem e da luz, conscientes das próprias responsabilidades, sem qualquer tangente à desculpa, por deterem consigo forças suficientes para superá-los. E, por isso mesmo quando caem, não encontram apoio algum dentro de si mesmos para eximir-lhes a culpabilidade, adotando, então, o afastamento das tarefas, a estagnação das próprias vidas e a perdida oportunidade evolutiva que a reencarnação lhes oferecia. 

Precatem-se, pois, nossos irmãos domicilia dos na esfera física, porquanto, no abuso da autoridade, no envilecimento do sexo e na paixão do dinheiro, levanta-se a trilogia sinistra dos mais perigosos fantasmas da mente, a lançar muita gente boa e capaz nas sarjetas da sombra e nos despenhadeiros da inutilidade. 

Espírito ALBANO COUTO (Página recebida pelo médium Waldo Vieira em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã na noite de 21-5-62, em Uberaba, Minas.) 
Fonte: Reformador - fevereiro, 1964

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Evolução da Terra

Na obra de Deus reina a perfeição, nela tudo é útil e harmonioso, o Universo infinito é algo sublimado e transcendental, que jamais poderá ser descrito pela linguagem humana. 

Já se eclipsou na voragem do tempo, a época em que se supunha ser a Terra o centro do Universo. 

 A teoria geocêntrica foi suplantada pela heliocêntrica e, após Galileu, as teologias terrenas tiveram que rever seus dogmas e seus conceitos, Jesus Cristo definiu esses mundos como sendo outras tantas moradas para o Espírito em sua escalada evolutiva rumo à perfeição. 

 A casa do Pai é o Universo todo, e as diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos estações apropriadas ao cumprimento de um prolongado processo evolutivo. 

 Os diversos mundos possuem condições muito diferentes uns dos outros, no tocante ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes, pois nem todos desfrutam do mesmo grau de progresso, existem mundos inferiores à Terra, tanto física como moralmente, outros estão no mesmo nível e outros lhe são mais, ou menos, superiores em todos os aspectos. 

 Os Espíritos, ao longo do seu processo evolutivo, habitam as diferentes moradas da Casa do Pai, tendo como ponto inicial o estado de simplicidade e ignorância; caminham através de uma escala bastante prolongada, possuindo como meta a angelitude, nos mundos que já atingiram um grau superior de evolução, as condições da vida moral são muito diferentes daquelas que se verificam na Terra.

 O corpo nada tem da materialidade terrena e não está, por isso mesmo, sujeito às necessidades, às enfermidades e às deteriorações oriundas da prevalência da matéria, a menor densidade específica torna mais fácil a locomoção.

 A Doutrina Espírita propicia aos homens uma visão bem mais clara e ampla do Universo, fazendo com que eles descortinem novos horizontes, animando-os da certeza da imortalidade da alma e do futuro radiante e grandioso que os aguarda. 

 Embora seja tarefa sumamente difícil fazer uma classificação absoluta dos mundos, os Espíritos estabeleceram uma escala com cinco categorias distintas:

 1. Mundo Primitivo: Onde se verificam as primeiras encarnações da alma humana. 

2. Mundo de Expiação e Provas: Onde o mal predomina. 

3. Mundo de Regeneração: Onde as almas que ainda têm algo a expiar adquirem novas forças, repousando das fadigas da luta.

 4. Mundos Felizes: Onde o bem predomina sobre o mal. 

5. Mundos Divinos ou Celestes: Onde moram os Espíritos purificados e o bem reina plenamente. 

 A Terra está situada na faixa dos mundos de expiações e de provas, nela ainda predominando o mal; entretanto, afirmam os Espíritos Benfeitores que, futuramente, ela ascenderá à categoria de mundo de regeneração. 

 Espíritos que habitam os mundos mais adiantados podem reencarnar na Terra para o desempenho de determinadas missões. 

Os apóstolos de Jesus, sem sombra de dúvida, eram Espíritos de elevada hierarquia, que aqui vieram com a missão grandiosa de acompanhar o Mestre no seu sublime messiado.  

Espíritos elevados que eram, encarnaram num mundo denso, onde predominava a maldade; eles sentiram-se deslocados e por isso, Jesus lhes disse: "Não se turbe o vosso coração, credes em Deus, crede também em mim", acrescentando logo a seguir: "Há muitas moradas na Casa de meu Pai, se assim não fosse eu vo-lo teria dito". (João 14:1-2) 

 Como se pressentindo que aqueles homens se sentiriam desprotegidos e desamparados após a sua partida para as regiões celestiais, o Mestre lhes acenou com a afirmativa de que "Ele iria na frente para lhes preparar o lugar".

 Isso naturalmente, para lhes demonstrar que, dada a elevação de seus Espíritos, eles não eram deste mundo e a eles estavam reservadas moradas nas regiões mais sublimes, este ensinamento de Jesus não era exclusivamente destinado aos apóstolos, mas extensível a todas as criaturas.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Divaldo Pereira Franco


Divaldo Pereira Franco, mais conhecido como Divaldo Franco ou simplesmente Divaldo (Feira de Santana, 5 de maio de 1927) é um professor, médium e orador espírita brasileiro. 

Divaldo é um verdadeiro apóstolo do Espiritismo, com mais de cinqüenta anos devotados à mediunidade.
 Há mais de sessenta anos, um importante orador espírita. 

Dos seus oitenta e cinco anos, sessenta e cinco foram devotados à causa Espírita e às crianças excluídas, das periferias de Salvador, na Bahia. 

Para este último fim fundou, em 15 de agosto de 1952, junto com Nilson de Souza Pereira, a casa de assistência Mansão do Caminho, responsável pela orientação e educação de mais de 33 mil crianças e adolescentes carentes.

 Divaldo cursou a Escola Normal Rural de Feira de Santana, onde recebeu o diploma de Professor Primário em 1943. 


Trabalhou como escriturário no antigo IPASE, em Salvador, aposentando-se em 1980.

 Desde a infância relata comunicar-se com os espíritos. 

Quando jovem, foi abalado pela morte de seus dois irmãos mais velhos, o que o deixou traumatizado e enfermo, sendo conduzido a diversos especialistas, na área da Medicina, sem, contudo, lograr qualquer resultado satisfatório.

 Nessa época conheceu a Sra. Ana Ribeiro Borges, que o conduziu à Doutrina Espírita, o que o teria libertado do trauma e trazido consolações, tanto para ele como para toda a sua família. 

Divaldo dedicou-se, então, ao estudo do Espiritismo, ao tempo em que foi aprimorando suas faculdades mediúnicas, pelo correto exercício e continuado estudo do Espiritismo. 

Transferiu residência para Salvador no ano de 1945, tendo feito concurso para o Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE), onde ingressou a 5 de Dezembro de 1945, como escriturário.

 Já espírita convicto, fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção (CECR), em 7 de Setembro de 1947.

 Em A Veneranda Joanna de Ângelis (Salvador: LEAL, 1987), escrito por Divaldo e Celeste Santos, constam biografias do médium baiano e de sua mentora espiritual, Joanna de Ângelis, bem como informações sobre o trabalho educacional e assistencial desenvolvido pela Mansão do Caminho, além de entrevistas com Divaldo e relatos sobre reencarnações de Joanna de Ângelis.

 Divaldo apresentou, desde jovem, diversas faculdades mediúnicas, tanto de efeitos físicos quanto de efeitos intelectuais. 

Destaca-se, dentre elas, no entanto, a psicografia. 

Inicialmente, diversas mensagens foram escritas pelo seu intermédio, sob a orientação dos benfeitores espirituais, até que um dia, ele recebeu a recomendação para que fosse queimado o que escrevera até ali, pois não passavam de simples exercícios. 

Com a continuação, vieram novas mensagens assinadas por diversos espíritos, dentre eles, Joanna de Ângelis, que durante muito tempo apresentava-se como "um Espírito Amigo", ocultando-se no anonimato, à espera do instante oportuno para se fazer conhecida. 

Joanna revelou-se como sua orientadora espiritual, escrevendo inúmeras mensagens, num estilo agradável, repassado de profunda sabedoria e infinito amor, que conforta aos mais diversos leitores e necessitados de diretriz espiritual.

 Em 1964, Joanna de Ângelis selecionou várias das mensagens de sua autoria e enfeixou-as num livro, que recebeu o sugestivo título de Messe de Amor.

 Foi o primeiro livro que o médium publicou. Logo em seguida, Rabindranath Tagore ditou Filigranas de Luz. 

O que se seguiu constitui-se hoje em um verdadeiro fenômeno editorial, pois, em 31 anos de atividade como médium, teve publicados 240 títulos, totalizando mais de quatro milhões e quinhentos mil exemplares, muitos deles ocupando lugar de destaque na literatura, no pensamento e na religiosidade universal. 

Dessas obras, houve 80 versões para 15 idiomas (alemão, castelhano, esperanto, francês, italiano, polonês, tcheco, braille e outros).

 Os livros englobam uma grande variedade de estudos literários, como prosa, romances, narrações e etc., abrangendo temas filosóficos, doutrinários, históricos, infantis, psicológicos e psiquiátricos.

 Nessas obras psicografadas, apresentam-se 211 alegados autores espirituais, além de Joanna de Ângelis, entre eles, Manoel Philomeno de Miranda, Victor Hugo, Amélia Rodrigues, Ignotus, Vianna de Carvalho, Carlos Torres Pastorino, Bezerra de Menezes, Rabindranath Tagore, João Cléofas, Eros e Simbá. 

 Por meio das obras de Joanna de Ângelis, Divaldo pôde alcançar o reconhecimento não apenas entre os religiosos e espiritualistas, mas também em outras linhas de conhecimento, como a psicologia e a parapsicologia. 

Isso se deu principalmente em função dos livros publicados na Série Psicológica, onde tratou dos malefícios das fugas da realidade e enfatizou a importância do autoconhecimento e auto-enfrentamento. 

A Série Psicológica foi escrita à luz dos pensamentos de Allan Kardec e de pesquisadores da psiquê humana, a exemplo de Carl Jung. 

Na referida série se encontram duas obras voltadas à psicologia transpessoal: Autodescobrimento (1995) e Triunfo Pessoal (2002). 

A maioria das obras escritas por Divaldo Franco sob o comando de Joanna de Ângelis almeja incentivar o autodescobrimento e facilitar a aplicação no dia-a-dia dos ensinamentos morais de amor fraterno contidos nos Evangelhos e na Doutrina Espírita, incentivando o leitor a enfrentar as dificuldades cotidianas de modo mais prático e otimista. 

Grande parte das obras ditadas a Divaldo por Joanna de Ângelis foi publicada pela Editora LEAL, de Salvador (BA). 

Um dos mais recentes lançamentos de Joanna de Ângelis chama-se Conflitos Existenciais (LEAL, 2005), obra que analisa os principais conflitos do ser humano, as suas causas, origens e formas de terapia - inclusive, estuda as tentativas atuais de se preencherem os vazios existenciais, a exemplo de relacionamentos efêmeros por meio da Internet.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Todos nós temos algo de bom...

... Por pior que alguém possa parecer, basta que lhe prestemos atenção para descobrirmos que ninguém é totalmente despido de bondade.

 Alguns se afeiçoam apenas aos animais, outros amam tão somente os filhos... Todo sentimento sincero, ainda que direcionado, revela a semente de bondade latente dentro de nós. 

Não existe no mundo quem não tenha praticado uma ação digna, por menor e mais insignificante que possa parecer. 

Não há aquele cujos pensamentos e sentimentos, por uma fração de segundo que seja, não tenha voltado para seu irmão com uma pontinha de piedade ou arrependimento. E isso, porque todos nós, sem exceção, somos dotados da centelha divina que nos acompanha desde a nossa criação. 

Alguns, mais ávidos e mais corajosos, aprendem com maior rapidez essa verdade e logo alcançam a paz interior, alçando planos mais elevados de compreensão. Outros, mais embrutecidos, teimam em persistir apegados a falsos valores de felicidade e se perdem nas vias do terror, infligindo-se sofrimentos que poderiam ser contornados. Mas todos estamos caminhando em direção ao mesmo objetivo. Todos almejamos crescer, aprender, ascender ao invisível de uma forma plena e segura, mais consciente, menos sofrida, mais verdadeira e amorosa. 

É para isso que lutamos, caímos, nos levantamos.

 É com esse objetivo que nos enveredamos pelo espinhoso caminho da descrença, da culpa, do orgulho, do desamor, da crueldade...Não são esses sentimentos aspectos negativos do caráter humano. São meras etapas necessárias à compreensão do verdadeiro amor. 

Muitas vezes é preciso conhecer o mal para que possamos valorizar o bem e aceitá-lo como verdade absoluta em nossos corações.

 Assim é a vida, desde seus primórdios. Em todos os tempos, todas as eras, todos os lugares, o homem vem travando furiosa batalha consigo mesmo, contra seus instintos, seus temores, seu orgulho. 

É uma luta constante, porque o maior inimigo do homem é ele mesmo, contra quem precisa constantemente lutar para impor, não pela força, mas pelo amor, a compreensão verdadeira da vida. 

É com esse sentimento que devemos entender as épocas mais negras da história, aquelas cujas lembranças nos causa arrepios e em que pensamos nada existir de bom. Em tudo na vida há um bem, ainda que só apareça o mal, porque o mal é mera ilusão. 

O que vulgarmente chamamos de mal não passa de uma falsa compreensão das verdades divinas. 

Quando realmente conseguirmos alcançar a magnitude dos desígnios de Deus, estaremos prontos para olhar o mal como algo que possamos realmente compreender o bem. 

Porque o bem nada mais é do que uma singela consolidação das leis da natureza. E, a natureza não erra nem é má, ela simplesmente existe, simplesmente acontece. 

Assim também é o bem, ele existe e está dentro de nós desde a nossa criação e está apenas à espera do momento em que o façamos acontecer.

 Deus está sempre conosco, ainda que não o desejemos, ainda que não acreditamos nele. Porque é infinito e amor e sabedoria, em compreensão e benevolência, sabe de tudo o que necessitamos, antes mesmo que pensemos em lhe pedir. 

E sabe que não somos, em essência, nem maus, nem cruéis. Somos ignorantes e imaturos, mas inteligentes o bastante para reconhecermos quando é chegada a hora de abandonar a infância das trevas e aprender...

Benefícios Imediatos

Entre o Aprendiz e o Orientador se estabeleceu o precioso diálogo:

 -Instrutor, qual é a força que domina a vida? 

 -Sem dúvida, o amor. 

 -Esse poder tudo resolve de pronto?

 -Entre as criaturas humanas, de modo geral, ainda existem problemas, alusivos ao amor que demandam muito tempo a fim de que se atinja a solução no campo do entendimento. 

 -E qual o recurso máximo que nos garante segurança entre as desarmonias do mundo? 

 -A fé.

 -Pode a fé ser obtida, de momento para outro? 

 -Não é assim. A confiança raciocinada reclama edificação vagarosa no curso dos dias. 

 -A que fator nos cabe recorrer, para que nos conservem o ânimo e a alegria de servir entre conflitos da existência? 

 -A paz.

 -E a paz surge expontânea? 

 -Também não. Ninguém conhece a verdadeira paz sem trabalho e todo trabalho pede luta. 


 -Então instrutor, não existe elemento algum no mundo que nos assegure benefícios imediatos?

 -Existe.

 -Onde está esse prodígio, se vejo atritos por toda parte, na Terra? 

 -O Mentor fez expressivo gesto de compreensão e rematou: -Filho, a única força capaz de proporcionar-nos triunfos imediatos, em quaisquer setores da vida, é a força da paciência.

Francisco Cândido Xavier. 
Da obra: Pronto Socorro. 
Ditado pelo Espírito Emmanuel. C.E.U.

Bem e mal sofrer

Quando o Cristo disse: "Bem-aventurados os aflitos, o reino dos céus lhes pertence", não se referia de modo geral aos que sofrem, visto que sofrem todos os que se encontram na Terra, quer ocupem tronos, quer jazam sobre a palha. Mas, ah! poucos sofrem bem; poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzi-los ao reino de Deus. 

O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem. 

A prece é um apoio para a alma; contudo, não basta: é preciso tenha por base uma fé viva na bondade de Deus. Ele já muitas vezes vos disse que não coloca fardos pesados em ombros fracos. 

O fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem. Mais opulenta será a recompensa, do que penosa a aflição.

 Cumpre, porém, merecê-la, e é para isso que a vida se apresenta cheia de tribulações. 

 O militar que não é mandado para as linhas de fogo fica descontente, porque o repouso no campo nenhuma ascensão de posto lhe faculta. Sede, pois, como o militar e não desejeis um repouso em que o vosso corpo se enervaria e se entorpeceria a vossa alma. 

Alegrai-vos, quando Deus vos enviar para a luta. Não consiste esta no fogo da batalha, mas nos amargores da vida, onde, às vezes, de mais coragem se há mister do que num combate sangrento, porquanto não é raro que aquele que se mantém firme em presença do inimigo fraqueje nas tenazes de uma pena moral.

 Nenhuma recompensa obtém o homem por essa espécie de coragem; mas, Deus lhe reserva palmas de vitória e uma situação gloriosa. 

Quando vos advenha uma causa de sofrimento ou de contrariedade, sobreponde-vos a ela, e, quando houverdes conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera, ou do desespero, dizei, de vós para convosco, cheio de justa satisfação: "Fui o mais forte."

 Bem-aventurados os aflitos pode então traduzir-se assim: Bem-aventurados os que têm ocasião de provar sua fé, sua firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus, porque terão centuplicada a alegria que lhes falta na Terra, porque depois do labor virá o repouso. 

Lacordaire. (Havre, 1863.)

Luto


Vamos enviar vibrações positivas aos nossos irmãos de Sta Maria.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Auto-Encontro

A ansiosa busca de afirmação da personalidade leva o indivíduo, não raro, a encetar esforços em favor das conquistas externas, que o deixam frustrado, normalmente insatisfeito.

 Transfere-se, então, de uma para outra necessidade que se lhe torna meta prioritária, e, ao ser conseguida, novo desinteresse o domina, deixando-o aturdido. 

 A sucessão de transferências termina por exauri-lo, ferindo-lhe os interesses reais que ficam á margem. 

 Realmente, a existência física é uma proposta oportuna para a aquisição de valores que contribuem para a paz e a realização do ser inteligente. Isto, porém, somente será possível quando o centro de interesse não se desviar do tema central, que é a evolução. 

 Para ser conseguida, faz-se imprescindível uma avaliação de conteúdos, a fim de saber-se o que realmente é transitório e o que é de largo curso e duração. 

 Essa demorada reflexão selecionará os objetivos reais dos aparentes, ensejando a escolha daqueles que possuem as respostas e os recursos plenificadores.

 Hoje, mais do que antes essa decisão se faz urgente, por motivos óbvios, pois que, enquanto escasseiam o equilíbrio individual e coletivo, a saúde e a felicidade, multiplicam-se os desaires e as angústias ceifando os ideais de enobrecimento humano.

  Se de fato andas pela conquista da felicidade, tenta o auto-encontro. Utilizando-te da meditação prolongada, penetrar-te-ás, descobrindo o teu ser real, imortal, que aguarda ensejo de desdobramento e realização. 

 Certamente, os primeiros tentames não te concederão resultados apreciáveis. 

 Perceberás que a fixação da mente na interiorização será interrompida, inúmeras vezes, pelas distrações habituais do intelecto e da falta de harmonia.

 Desacostumado a uma imersão, a tua tentativa se fará prejudicada pela irrupção das idéias arquivadas no inconsciente, determinantes de tua conduta inquieta, irregular, conflitiva. 

  Concordamos que a criatura é conduzida, na maior parte das vezes, pelo inconsciente, que lhe dita o pensamento e as ações, como resultado normal das próprias construções mentais anteriores.

 A mudança de hábito necessita de novo condicionamento, a fim de mergulhares nesse oceano tumultuado, atingindo-lhe o limite que concede acesso às praias da harmonia, do auto-descobrimento, da realização interior.

 Nessa façanha verás o desmoronar de muitas e vazias ambições, que cultivas por ignorância ou má educação; o soçobrar de inúmeros engodos; o desaparecer de incontáveis conflitos que te aturdem e devastam. 

 Amadurecerás lentamente e te acalmarás, não te deixando mais abater pelo desânino, nem exaltar pelo entusiasmo dos outros. 

 Ficarás imune à tentação do orgulho e à pedrada da inveja, à incompreensão gratuita e à inimizade perseguidora, porque somente darás atenção à necessidade de valorização do ser profundo e indestrutível que és. 

 Terminarás por te venceres, e essa será a tua mais admirável vitória.

 Não cesses, portanto, logo comeces a busca interior, de dar-lhe prosseguimento se as dificuldades e distrações do ego se te apresentarem perturbadoras. 

 Divaldo Pereira Franco. 
Da obra: Momentos Enriquecedores. 
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. 
Salvador, BA: LEAL, 1994.

sábado, 19 de janeiro de 2013

A influência do Espiritismo na transformação do mundo (vídeo)


Anjos Guardiões

Os anjos guardiães são embaixadores de Deus, mantendo acesa a chama da fé nos corações e auxiliando os enfraquecidos na luta terrestre. 

Quais estrelas formosas, iluminam as noites das almas e atendem-lhes as necessidades com unção e devotamento inigualáveis. 

Perseveram ao lado dos seus tutelados em toda circunstância, jamais se impacientando ou os abandonando, mesmo quando eles, em desequilíbrio, vociferam e atiram-se aos despenhadeiros da alucinação. 

Vigilantes, utilizam-se de cada ensejo para instruir e educar, orientando com segurança na marcha de ascensão. 

Envolvem os pupilos em ternura incomum, mas não anuem com seus erros, admoestando com severidade quando necessário, a fim de lhes criarem hábitos saudáveis e conduta moral correta. 

São sábios e evoluídos, encontrando-se em perfeita sintonia com o pensamento divino, que buscam transmitir, de modo que as criaturas se integrem psiquicamente na harmonia geral que vige no Cosmo. 

Trabalham infatigavelmente pelo Bem, no qual confiam com absoluta fidelidade, infundindo coragem àqueles que protegem, mantendo a assistência em qualquer circunstância, na glória ou no fracasso, nos momentos de elevação moral e naqueloutros de perturbação e vulgaridade. 

Nunca censuram, porque a sua é a missão de edificar as almas no amor, preservando o livre-arbítrio de cada uma, levantando-as após a queda, e permanecendo leais até que alcancem a meta da sua evolução. 

Os anjos guardiães são lições vivas de amor, que nunca se cansam, porquanto aplicam milênios do tempo terrestre auxiliando aqueles que lhes são confiados, sem se imporem nem lhes entorpecerem a liberdade de escolha. 

Constituem a casta dos Espíritos Nobres que cooperam para o progresso da humanidade e da Terra, trabalhando com afinco para alcançar as metas que anelam. 

Cada criatura, no mundo, encontra-se vinculada a um anjo guardião, em quem pode e deve buscar inspiração, auscultando-o e deixando-se por ele conduzir em nome da Consciência Cósmica. Tem cuidado para que te não afastes psiquicamente do teu anjo guardião.

 Ele jamais se aparta do seu protegido, mas este, por presunção ou ignorância, rompe os laços de ligação emocional e mental, debandando da rota libertadora. 

Quando erres e experimentes a solidão, refaze o passo e busca-o pelo pensamento em oração, partindo de imediato para a ação edificante. 

Quando alcances as cumeadas do êxito, recorda-o, feliz com o teu sucesso, no entanto preservando-te do orgulho, dos perigos das facilidades terrestres. 

Na enfermidade, procura ouvi-lo interiormente sugerindo-te bom ânimo e equilíbrio. Na saúde, mantém o intercâmbio, canalizando tuas forças para as atividades enobrecedoras. 

Muitas vezes sentirás a tentação de desvairar, mudando de rumo.

 Mantém-te atento e supera a maléfica inspiração. 

O teu anjo guardião não poderá impedir que os Espíritos perturbadores se acerquem de ti, especialmente se atraídos pelos teus pensamentos e atos, em razão do teu passado, ou invejando as tuas realizações... 

Todavia te induzirão ao amor, a fim de que te eleves e os ajudes, afastando-os do mal em que se comprazem. O teu anjo guardião é o teu mestre e amigo mais próximo. Imana-te a ele. 

Entre eles, os anjos guardiães e Deus, encontra-se Jesus, o Guia perfeito da humanidade. 

Medita nas Suas lições e busca seguir-Lhe as diretrizes, a fim de que o teu anjo guardião te conduza ao aprisco que Jesus levará ao Pai Amoroso.