quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A Regeneração da Humanidade


Os acontecimentos se precipitam com rapidez, também não vos dizemos mais como outrora: "Os tempos estão próximos"; nós vos dizemos agora: "Os tempos estão chegados". Por estas palavras não entendeis um novo dilúvio, nem um cataclismo, nenhum transtorno geral. 
As convulsões parciais do globo ocorreram em todas as épocas e se produzem ainda, porque se prendem à sua constituição, mas não estão ali os sinais dos tempos. E, no entanto, tudo o que está predito no Evangelho deve se cumprir e se cumpre neste momento, assim como o reconhecereis mais tarde; mas não tomeis os sinais anunciados senão como figuras das quais é preciso tomar o espírito e não a letra. Todas as Escrituras encerram grandes verdades sob o véu da alegoria, e foi porque os comentaristas se prenderam à letra que se enganaram. Faltou-lhes a chave para compreenderem seu sentido verdadeiro. 
Esta chave está nas descobertas da ciência e nas leis do mundo invisível que vem de nos revelar o Espiritismo. Doravante, com a ajuda destes novos conhecimentos, o que era obscuro se tornará claro e inteligível. Tudo segue a ordem natural das coisas, e as leis imutáveis de Deus não serão modificadas. Não vereis, pois, nem milagres, nem prodígios, nem nada de sobrenatural no sentido vulgar dado a estas palavras. Não olheis o céu para nele procurar os sinais precursores, porque ali não os vereis, e aqueles que vo-los anunciaram vos enganaram; mas olhai ao vosso redor, entre os homens, será aí que os encontrareis. Não sentis como um vento que sopra sobre a Terra e agita todos os Espíritos? O mundo está à espera e como tomado de um vago pressentimento da aproximação da tempestade. Não credes, entretanto, no fim do mundo material; a Terra progrediu depois de sua transformação; ela deve progredir ainda, e não ser destruída. Mais a Humanidade chegou a um de seus períodos de transformação, e a Terra vai se elevar na hierarquia dos mundos. Não é, pois, o fim do mundo material que se prepara, mas o fim do mundo moral; é o velho mundo, o mundo dos preconceitos, do egoísmo, do orgulho e do fanatismo que se desmorona; cada dia dele carrega alguns destroços. Tudo acabará para ele com a geração que se vai, e a geração nova erguerá o novo edifício que as gerações seguintes consolidarão e completarão. De mundo de expiação, a Terra está chamada a se tornar um dia um mundo feliz, e sua habitação será uma recompensa em lugar de ser uma punição. O reino do bem, nela, deve suceder ao reino do mal. Para que os homens sejam felizes sobre a Terra, é preciso que ela não seja povoada senão de bons Espíritos, encarnados e desencarnados, que não quererão senão o bem. Este tempo tendo chegado, uma grande emigração se cumprirá nesse momento entre aqueles que a habitam; aqueles que fazem o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não toca, não sendo mais dignos da Terra transformada, dela serão excluídos, porque lhe trariam de novo a perturbação e a confusão e seriam um obstáculo ao progresso. Eles irão expiar seu endurecimento nos mundos inferiores, onde levarão seus conhecimentos adquiridos, e terão por missão fazer avançar. Serão substituídos sobre a Terra por Espíritos melhores, que farão reinar entre si a justiça, a paz, a fraternidade. A Terra, dissemos, não deve ser transformada por um cataclismo que aniquilaria subitamente uma geração. A geração atual desaparecerá gradualmente, e a nova lhe sucederá do mesmo modo sem que nada tenha mudado a ordem natural das coisas. Tudo passará, pois, exteriormente como de hábito, com esta única diferença, mas esta diferença é capital, é que uma parte dos Espíritos que aí se encarnam não se encarnarão nela mais. Numa criança que nasça, em lugar de um Espírito atrasado e levado ao mal que nela teria encarnado, será um Espírito mais avançado e levado ao bem. Trata-se, pois, bem menos de uma nova geração corpórea do que de uma nova geração de Espíritos. Assim, aqueles que esperam ver a transformação se operar por efeitos sobrenaturais serão frustrados. A época atual é a da transição; os elementos das duas gerações se confundem. Colocados no ponto intermediário, assistis à partida de uma e à chegada da outra, cada uma já se mostra no mundo pelos caracteres que lhe são próprios. As duas gerações que sucedem uma à outra têm idéias e objetivos inteiramente opostos. Pela natureza das disposições morais, mas, sobretudo, das disposições intuitivas e inatas, é fácil distinguir à qual pertence cada indivíduo. A nova geração, devendo fundar a era do progresso moral, se distingue por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, juntadas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que é o sinal indubitável de um certo grau de adiantamento anterior. Ela não será composta exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas daqueles que, tendo já progredido, estão predispostos a assimilar todas as idéias progressistas e aptos a secundar o movimento regenerador. O que distingue, ao contrário, os Espíritos atrasados, é primeiro a revolta contra Deus pela negação da Providência e de toda força superior à Humanidade; depois, a propensão instintiva às paixões degradantes, aos sentimentos anti-fraternos do egoísmo, do orgulho, do ódio, do ciúme, da cupidez, enfim, a predominância do apego a tudo o que é material. São esses vícios, dos quais a Terra deve ser purgada pelo afastamento daqueles que recusam se emendar, porque são incompatíveis com o reino da fraternidade e que os homens de bem sofrerão sempre com o seu contato. A Terra deles estará livre, e os homens caminharão sem entraves para o futuro melhor que lhes está reservado neste mundo, por prêmio de seus esforços e de sua perseverança, à espera de que uma depuração ainda mais completa lhes abra a entrada dos mundos superiores. Por essa emigração de Espíritos não é preciso entender que todos os Espíritos retardatários serão expulsos da Terra e relegados aos mundos inferiores. Muitos, ao contrário, a ela retornarão, porque muitos cederam ao arrastamento de circunstâncias e do exemplo. Uma vez subtraídos à influência da matéria e dos preconceitos do mundo corpóreo, a maioria verá as coisas de maneira toda diferente de quando viviam, assim como tendes visto numerosos exemplos. Nisto, eles são ajudados pelos Espíritos benevolentes que se interessam por eles e que diligenciam de esclarecê-los e lhes mostrar o falso caminho que seguiram. Por vossas preces e vossas exortações, vós mesmos podeis contribuir para a sua melhoria, porque há uma solidariedade perpétua entre os mortos e os vivos. Aqueles poderão, pois, retornar, e com isto serão felizes, porque será uma recompensa. Que importa o que foram e o que fizeram, se estão animados dos melhores sentimentos! Longe de serem hostis à sociedade e ao progresso, serão auxiliares úteis, porque pertencerão à nova geração. Não haverá, pois, exclusão definitiva senão para os Espíritos essencialmente rebeldes, aqueles que o orgulho e o egoísmo, mais do que a ignorância, tornam surdos à voz do bem e da razão. Mas aqueles mesmos não são votados a uma inferioridade perpétua, e virá um dia em que eles repudiarão o seu passado e abrirão os olhos à luz. Orai, pois, por esses endurecidos, a fim de que se emendem enquanto para isso é tempo ainda, porque o dia da expiação se aproxima. Infelizmente, a maioria, desconhecendo a voz de Deus, persistirá em sua cegueira, e sua resistência marcará o fim de seu reino por lutas terríveis. Em seu desvio, correrão eles mesmos para a sua perda; levarão à destruição que engendrará uma multidão de flagelos e de calamidades, de sorte que, sem o quererem, apressarão o advento da era da renovação. E como a destruição não caminhará com muita rapidez, ver-se-ão os suicídios se multiplicarem numa proporção estranha, até entre as crianças. A loucura jamais terá atingido um maior número de homens que serão, antes da morte, riscados do número dos vivos. Aí estão os verdadeiros sinais dos tempos. E tudo isto se cumprirá pelo encadeamento das circunstâncias, assim como o dissemos, sem que seja em nada derrogada uma lei da Natureza. No entanto, através da nuvem sombria que vos envolve, e no seio da qual ribomba a tempestade, já vedes despontar os primeiros raios da era nova! A fraternidade põe seus fundamentos sobre todos os pontos do globo e os povos se estendem a mão; a barbárie se familiariza ao contato da civilização; os preconceitos de raças e de seitas, que têm feito verter ondas de sangue, se extinguem; o fanatismo e a intolerância perdem terreno, ao passo que a liberdade de consciência se introduz nos costumes e se torna um direito. Por toda a parte as idéias fermentam; vê-se o mal e se experimentam os remédios, mas muitos caminham sem bússola e se perdem nas utopias. O mundo está num imenso trabalho de parto que terá durado um século; desse trabalho, ainda confuso, vê-se, ainda, no entanto, dominar uma tendência para um objetivo: o da unidade e da uniformidade que predispõe à confraternização. Estão ainda ali os sinais do tempo; mas, ao passo que os outros são os da agonia do passado, estes últimos são os primeiros vagidos da criança que nasce, os precursores da aurora que verá se levantar o século próximo, porque então a nova geração estará em toda a sua força. Tanto a fisionomia do século dezenove difere da do século dezoito em certos pontos de vista, tanto a do século vinte será diferente do século dezenove em outros pontos de vista. Um dos caracteres distintivos da nova geração será a fé inata; não a fé exclusiva e cega que divide os homens, mas a fé raciocinada que esclarece e fortalece, que os une e os confunde num comum sentimento de amor a Deus e ao próximo. Com a geração que se extingue, desaparecerão os últimos vestígios da incredulidade e do fanatismo, igualmente contrários ao progresso moral e social. O Espiritismo é o caminho que conduz à renovação, porque arruínam os dois maiores obstáculos que a ela se opõem: a incredulidade e o fanatismo. Ele dá uma fé sólida e esclarecida; desenvolve todos os sentimentos e todas as idéias que correspondem aos objetivos da nova geração; é porque é como inato e no estado de intuição no coração de seus representantes. A era nova o verá, pois, crescer e prosperar pela própria força das coisas. Tomar-se-á a base de todas as crenças, o ponto de apoio de todas as instituições. Daqui até lá, quantas lutas ter-se-á ainda que sustentar contra estes dois maiores inimigos: a incredulidade e o fanatismo que, coisa estranha, se dão a mão para abatê-lo! Pressentem seu futuro e sua ruína: é porque o temem, porque o vêem já plantar, sobre as ruínas do velho mundo egoísta, a bandeira que deve ligar todos os povos. Na divina máxima: Fora de caridade não há salvação, lêem a sua própria condenação, porque é o símbolo da nova aliança fraternal proclamada pelo Cristo. Ela se mostra a eles como as palavras fatais do festim de Baltazar. E, no entanto, esta máxima deveria bendizê-la, porque os garante de todas as represálias da parte daqueles que persegue. Mas não, uma força cega os impele a rejeitar a única coisa que poderia salvá-los! Que poderão contra o ascendente da opinião que os repudia? O Espiritismo sairá triunfante da luta, disto não duvideis, porque ele está nas leis da Natureza, e por isto mesmo imperecível. Vede por que multidão de meios a idéia se difunde e penetra por toda a parte; crede bem que esses meios não são fortuitos, mas providenciais; o que, à primeira vista, parecia dever prejudicá-lo, é precisamente o que ajuda a sua propagação. Logo se verão surgir os combatentes altamente devotados entre os homens mais consideráveis e os mais acreditados, que o apoiarão com a autoridade de seu nome e de seu exemplo, e imporão silêncio aos seus detratores, porque não se ousará mais tratá-los de loucos. Estes homens o estudam no silêncio e se mostrarão quando o momento propício tiver chegado. Até lá, é útil que se mantenham à parte. Logo também vereis as artes dele tirar como de uma mina fecunda, e traduzir seus pensamentos e os horizontes que descobre pela pintura, pela poesia e pela literatura. Foi vos dito que haveria um dia a arte espírita, como houve a arte paga e a arte cristã, e é uma grande verdade, porque os maiores gênios nele se inspirarão. Logo disto vereis os primeiros esboços, e, mais tarde, tomará o lugar que deve ter. Espíritas, o futuro é vosso e de todos os homens de coração e de devotamento. Não temais os obstáculos, porque deles não há nenhum que possa entravar os desígnios da Providência. Trabalhai sem descanso, e agradecei a Deus por vos ter colocado na vanguarda da nova falange. É um posto de honra que vós mesmos pedistes, e do qual é preciso vos tornar dignos pela a vossa coragem, vossa perseverança e devotamento. Felizes aqueles que sucumbirem nessa luta contra a força; mas a vergonha será, no mundo dos Espíritos, para aqueles que sucumbirem por fraqueza ou pusilanimidade. As lutas, aliás, são necessárias para fortalecer a alma; o contato do mal faz apreciar melhor as vantagens do bem. Sem as lutas que estimulam as faculdades, o Espírito se deixaria ir a uma negligência funesta ao seu adiantamento. As lutas contra os elementos desenvolvem as forças físicas e a inteligência; as lutas contra o mal desenvolvem as forças morais. 

 Compilado da Revista Espírita – Allan Kardec Publicado em dezembro de 1866

Bataclan

Os atentados terroristas em Paris são como uma febre no organismo social. Dói, incomoda e leva a procurar um remédio. E a febre é apenas o sintoma de um drama de natureza moral e espiritual que nunca esteve tão elevado em toda a história da humanidade terrena.
 O terrorismo nada mais é que a velha necessidade do homem de anular a diferença para preponderar. No caso, usando a lamentável atitude de violência. 
O nome desse sentimento é poder. Poder é a coroa de ouro das organizações mais sombrias de todos os tempos. É a mais antiga doença do ser espiritual que faz seu aprendizado nessa escola de provas e expiações onde o egoísmo ainda é soberano. 
 Uma espessa camada miasmática se forma na chamada psicosfera, a parte astral do planeta mais próxima da matéria física. Esse cinturão de sombras é o resultado dos dejetos mentais da mente encarnada e desencarnada. Culpa, medo, ódio e poder se aglutinam junto a outras matérias mentais formando essa nuvem cinzenta e com vida própria.
 A Terra não colhe o fruto indigesto proveniente apenas das cabeças terroristas orientadas pela ganância extremista de grupos de poder. Cada vez que alguém tenta anular a diferença, é uma bomba lançada no fortalecimento desse cinturão de trevas em torno do planeta. Anular a diferença significa todo ato no qual não se consegue respeitar e reconhecer que o que pertence ao outro é de responsabilidade dele. Existe uma compulsiva e desastrosa necessidade no coração humano de convencer, controlar, mudar, transformar e moldar o outro aos seus modelos de viver. Isso é poder. Isso é terrorismo nos relacionamentos por meio de micro violências. 
 O terrorismo que explode no Bataclan é o efeito dessa onda miasmática milenar que assola nossa casa planetária. Quando você respeita o outro, quando você reconhece o direito do outro de viver a experiência que lhe convém, quando você percebe que só tem poder real é sobre você mesmo, as relações vão mudar, o mundo começará também a mudar. Tenham esperança. A febre social em Paris leva todos os continentes a procurarem ajuda na erradicação de suas doenças. Em meio às dolorosas convulsões nasce uma nova ordem que não tardará. 
 Quer colaborar com esse novo tempo?
 Comece a desarmar-se. Retire esses explosivos de pretensões e endurecimento na conduta. 
Liberte-se dessa ânsia de preponderar seja onde for. 
Melhor que dominar é ser feliz. 
Contribua com a diminuição do terrorismo no nosso planeta abençoado.
 Deixe de querer ter razão sempre.

 Autor: Maria Modesto Cravo (espirito), amante do Cristo e servidora do bem, lhes abençoo com paz. 14/11/15. Psicografia de Wanderley Oliveira.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Colônias espirituais sobre o Brasil


A técnica da paciência

A paciência é virtude muito ensinada, mas dificilmente vivida nos momentos em que ela se torna imprescindível. Recomenda-se lhe o uso desde tempos imemoriais. Dela tratam as religiões, as filosofias e, hodiernamente, a psicologia. Evidentemente, para que algo possa ser conscientemente usado é necessário que seja conhecido. Já é tempo de aprofundar-se o estudo desse estado emocional produtivo, a fim de que seus benefícios sejam dilatados. 
Ante difícil problema, forte emoção, profunda tristeza ou qualquer frustração, o antídoto recomendado é: Paciência! Mas, como encontrar a paciência?
 Deverá ser buscada interiormente ou exteriormente? 
Muitas são as questões que o tema propõe. Evidentemente não pretendemos equacioná-los. Todavia, urge comentá-lo, analisá-lo com maior profundidade. Começamos nossa ilação interrogando: paciência encontra-se ou se desenvolve? Acreditamos que a paciência é um estado mental positivo que se desenvolve. Porém, esse desenvolvimento, em face do próprio processo evolutivo a que o espírito está subordinado, pode ser natural, espontâneo, empírico, por isso mais lento; ou planejado, estudado, preparado e exercido conscientemente, no processo da auto-educação, consequentemente mais rápido. 
Como o homem, através do estudo e da técnica, pode melhorar o rendimento até do vegetal, o que não alcançará ele se a mesma coisa fizer na estruturação da sua felicidade? Portanto ensaiemos em torno da paciência. Absolutamente não pode ela ser confundida com o desanimo, a inércia, o desinteresse, a acomodação ou outros estados emocionais que, exteriormente indicam certa tranquilidade por parte daquele que enfrenta exacerbada dificuldade. Não é paciente aquele que ignora propositadamente o problema. Exige uma atitude positiva, verdadeira e realista ante o fato, ato, sentimento ou emoção frustrante. É preciso conhecer o problema, suas causas e efeitos. Delimitá-lo em seu real território. Consequentemente, a paciência é a conscientização que, clarificando o obscuro e aterrador, proporciona visão clara e posição íntima, serena, para a movimentação de forças solucionadoras. Ela pode ser: ativa ou passiva. Ativa quando, para a solução do problema, ela determina comportamento e atitudes atuantes na remoção do obstáculo, de forma enérgica, persistente e confiante. Passiva, quando a omissão e a inércia se impõem a fim de que o comportamento e a atitude ante o fato obstruidor não seja irracional, infringindo os princípios equilibrantes da Lei Divina. Diante dessas duas formas de dispor da energia mental é que reside a importância de “como” ser paciente. Nessa aplicação torna-se necessário profundo estudo para conhecer: se houve liberação de forças instintivas, oriundas da animalidade irracional, ou forças superiores conscientemente aplicadas para o engrandecimento do homem. Outro aspecto que merece analisado é a reação interiormente sentida, sob a forma de irritação, revolta, despeito, cólera e, até mesmo, ódio ante o evento desagradável. Isto porque, às vezes, a causa do desajustamento não está no exterior; fato, acontecimento ou pessoa, mas em raízes neuróticas que a personalidade traz em si. Então, essa causa faz explodir, na personalidade, as reações improdutivas, egoísticas e destruidoras. Por isso, é necessário que, ante o problema, a reação por ele produzida seja “facionalmente” compreendida (se tem um sentido construtivo ou destrutivo). O que jamais ocorre é a paciência constituir-se em emoção imponderável. Ela é um feixe de energias mentais positivas e atuantes.  
Concluímos que a paciência é uma posição mental construtiva, a ser conquistada. Para tal, caminharemos ganhando terreno aos poucos, pois, como verdadeira técnica, exige esforço, persistência e prática. Não é conquistável de uma vez, nem por um “golpe de força de vontade”. Até sua conquista definitiva e exercício natural, conforme a situação, ela será exercida ou não de modo perfeito ou imperfeito. 
O que importa é seu conhecimento e aplicação pois a paciência constitui condição para a saúde mental e processo de desenvolvimento espiritual. 

Airton Paiva Reformador (FEB) Fevereiro 1970

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Reforma íntima


 Quanto puderes, posterga a prática do mal até o momento que possas vencer essa força doentia que te empurra para o abismo. Provocado pela perversidade, que campeia a solta, age em silêncio, mediante a oração que te resguarda na tranqüilidade. Espicaçado pelos desejos inferiores, que grassam, estimulados pela onde crescente do erotismo e da vulgaridade, gasta as tuas energias excedentes na atividade fraternal. Empurrado para o campeonato da competição, na área da violência, estuga o passo e reflexiona, assumindo a postura da resistência passiva. Desconsiderado nos anseios nobres do teu sentimento, cultiva a paciência e aguarda a bênção do tempo que tudo vence. Acoimado pela injustiça ou sitiado pela calúnia, prossegue no compromisso abraçado, sem desânimo, confiando no valor do bem. Aturdido pela compulsão do desforço cruel, considera o teu agressor como infeliz amigo que se compraz na perturbação. Desestimulado no lar, e sensibilizado por outros afetos, renova a paisagem familiar e tenta salvar a construção moral doméstica abalada.   É muito fácil desistir do esforço nobre, comprazer-se por um momento, tornar-se igual aos demais, nas suas manifestações inferiores. Todavia, os estímulos e gozos de hoje, no campo das paixões desgovernadas, caracterizam-se pelo sabor dos temperos que se convertem em ácido e fel, a requeimarem por dentro, passados os primeiros momentos. Ninguém foge aos desafios da vida, que são técnicas de avaliação moral para os candidatos à felicidade. O homem revela sabedoria e prudência, no momento do exame, quando está convidado à demonstração das conquistas realizadas. Parentes difíceis, amigos ingratos, companheiros inescrupulosos, co-idealistas insensíveis, conhecidos descuidados, não são acontecimentos fortuitos, no teu episódio reencarnacionista. Cada um se movimenta, no mundo, no campo onde as possibilidades melhores estão colocadas para o seu crescimento. Nem sempre se recebe o que se merece. Antes, são propiciados os recursos para mais amplas e graves conquistas, que darão resultados mais valiosos. Assim, aprende a controlar as tuas más inclinações e adia o teu momento infeliz. Lograrás vencer a violência interior que te propele para o mal, se perseverares na luta.  Sempre que surja oportunidade, faze o bem, por mais insignificante que te pareça. Gera o momento de ser útil e aproveita-o. Não aguardes pelas realizações retumbantes, nem te detenhas esperando as horas de glorificação. Para quem está honestamente interessado na reforma íntima, cada instante lhe faculta conquistas que investe no futuro, lapidando-se e melhorando-se sem cansaço. Toda ascensão exige esforço, adaptação e sacrifício. Toda queda resulta em prejuízo, desencanto e recomeço. Trabalha-te interiormente, vencendo limite e obstáculo, não considerando os terrenos vencidos, porém, fitando as paisagens ainda a percorrer. A tua reforma íntima te concederá a paz por que anelas e a felicidade que desejas. 

Divaldo Franco. Da obra: Vigilância. 
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

Caminhos do coração

Multiplicam-se os caminhos do processo evolutivo, especialmente durante a marcha que se faz no invólucro carnal. Há caminhos atapetados de facilidades, que conduzem a profundos abismos do sentimento. Apresentam-se caminhos ásperos, coalhadas de pedrouços que ferem, na forma de vícios e derrocadas morais escravizadores. Abrem-se, atraentes, caminhos de vaidade, levando a situações vexatórias, cujo recuo se torna difícil. Repontam caminhos de angústia, marcados por desencantos e aflições desnecessárias, que se percorrem com loucura irrefreável. Desdobram-se caminhos de volúpias culturais, que intoxicam a alma de soberba, exilando-a para as regiões da indiferença pelas dores alheias. Aparecem caminhos de irresponsabilidade, repletos de soluções fáceis para os problemas gerados ao longo do tempo. Caminhos e caminhantes! Existem caminhos de boa aparência, que disfarçam dificuldades de acesso e encobrem feridas graves no percurso. Caminhos curtos e longos, retos e curvos, de ascensão e descida, estão por toda parte, especialmente no campo moral, aguardando ser escolhidos. 
 Todos eles conduzem a algum lugar, ou se interrompem, ou não levam a parte alguma... São, apenas, caminhos: começados, interrompidos, concluídos... 
Tens o direito de escolher o teu caminho, aquele que deves seguir. Ao fazê-lo, repassa pela mente os objetivos que persegues, os recursos que se encontram à tua disposição íntima assinalando o estado evolutivo, a fim de teres condição de seguir. Se possível, opta pelos caminhos do coração. Eles, certamente, levarão os teus anseios e a tua vida ao ponto de luz que brilha à frente esperando por ti. 
 O homem estremunha-se entre os condicionamentos do medo, da ambição, da prepotência e da segurança que raramente discerne com correção. O medo domina-lhe as paisagens íntimas, impedindo-lhe o crescimento, o avanço, retendo-o em situação lamentável, embora todas as possibilidades que lhe sorriem esperança.
 A ambição alucina-o, impulsionando-o para assumir compromissos perturbadores que o intoxicam de vapores venenosos, decorrentes da exagerada ganância. 
 A prepotência anestesia-lhe os sentimentos, enquanto lhe exacerba as paixões inferiores, tornando-o infeliz, na desenfreada situação a que se entrega. 
 A liberdade a que aspira, propõe-lhe licenças que se permite sem respeito aos direitos alheios nem observância dos deveres para com o próximo e a vida; destruindo qualquer possibilidade de segurança, que, aliás, é sempre relativa enquanto se transita na este física. 
 Os caminhos do coração se encontram, porém, enriquecidos da coragem, que se vitaliza com a esperança do bem, da humildade, que reconhece a própria fragilidade, e satisfaz-se com os dons do espírito - ao invés do tresvariado desejo de amealhar coisas de secundário importância - os serviços enobrecedores e a paz, que são a verdadeira segurança em relação às metas a conquistar. 
 Os caminhos do coração encontram-se iluminados pelo conhecimento da razão, que lhes clareia o leito, facilitando o percurso. 
 Jesus escolheu os caminhos do coração para acercar-se das criaturas e chamá-las ao reino dos Céus. Francisco de Assis seguiu-Lhe o exemplo e tornou-se o herói da humildade. 
 Vicente de Paulo optou pelos mesmos e fez-se o campeão da caridade. Gandhi redescobriu-os e comoveu o mundo, revelando-se como o apóstolo da não-violência. Incontáveis criaturas, nos mais diversos períodos da humanidade e mesmo hoje, identificaram esses caminhos do coração e avançam com alegria na direção da plenitude espiritual. Diante dos variados caminhos que se desdobram convidativos, escolhe os caminhos do coração, qual ovelha mansa, e deixa que o Bom Pastor te conduza ao aprisco pelo qual anelas. 

 Divaldo Franco
 Da obra: Momentos de Felicidade. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. 

Prece de Agradecimento (vídeo)


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A evolução da Terra


Na obra de Deus reina a perfeição, nela tudo é útil e harmonioso, o Universo infinito é algo sublimado e transcendental, que jamais poderá ser descrito pela linguagem humana. 
 Já se eclipsou na voragem do tempo, a época em que se supunha ser a Terra o centro do Universo. A teoria geocêntrica foi suplantada pela heliocêntrica e, após Galileu, as teologias terrenas tiveram que rever seus dogmas e seus conceitos, Jesus Cristo definiu esses mundos como sendo outras tantas moradas para o Espírito em sua escalada evolutiva rumo à perfeição. 
 A casa do Pai é o Universo todo, e as diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos estações apropriadas ao cumprimento de um prolongado processo evolutivo. 
 Os diversos mundos possuem condições muito diferentes uns dos outros, no tocante ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes, pois nem todos desfrutam do mesmo grau de progresso, existem mundos inferiores à Terra, tanto física como moralmente, outros estão no mesmo nível e outros lhe são mais, ou menos, superiores em todos os aspectos.
 Os Espíritos, ao longo do seu processo evolutivo, habitam as diferentes moradas da Casa do Pai, tendo como ponto inicial o estado de simplicidade e ignorância; caminham através de uma escala bastante prolongada, possuindo como meta a angelitude, nos mundos que já atingiram um grau superior de evolução, as condições da vida moral são muito diferentes daquelas que se verificam na Terra. 
 O corpo nada tem da materialidade terrena e não está, por isso mesmo, sujeito às necessidades, às enfermidades e às deteriorações oriundas da prevalência da matéria, a menor densidade específica torna mais fácil a locomoção. 
 A Doutrina Espírita propicia aos homens uma visão bem mais clara e ampla do Universo, fazendo com que eles descortinem novos horizontes, animando-os da certeza da imortalidade da alma e do futuro radiante e grandioso que os aguarda. Embora seja tarefa sumamente difícil fazer uma classificação absoluta dos mundos, os Espíritos estabeleceram uma escala com cinco categorias distintas: 

 1. Mundo Primitivo: Onde se verificam as primeiras encarnações da alma humana. 
 2. Mundo de Expiação e Provas: Onde o mal predomina. 
 3. Mundo de Regeneração: Onde as almas que ainda têm algo a expiar adquirem novas forças, repousando das fadigas da luta. 
 4. Mundos Felizes: Onde o bem predomina sobre o mal. 
 5. Mundos Divinos ou Celestes: Onde moram os Espíritos purificados e o bem reina plenamente. 
 A Terra está situada na faixa dos mundos de expiações e de provas, nela ainda predominando o mal; entretanto, afirmam os Espíritos Benfeitores que, futuramente, ela ascenderá à categoria de mundo de regeneração. 
 Espíritos que habitam os mundos mais adiantados podem reencarnar na Terra para o desempenho de determinadas missões. 
 Os apóstolos de Jesus, sem sombra de dúvida, eram Espíritos de elevada hierarquia, que aqui vieram com a missão grandiosa de acompanhar o Mestre no seu sublime messiado. 
 Espíritos elevados que eram, encarnaram num mundo denso, onde predominava a maldade; eles sentiram-se deslocados e por isso, Jesus lhes disse: "Não se turbe o vosso coração, credes em Deus, crede também em mim", acrescentando logo a seguir: "Há muitas moradas na Casa de meu Pai, se assim não fosse eu vo-lo teria dito". (João 14:1-2) Como se pressentindo que aqueles homens se sentiriam desprotegidos e desamparados após a sua partida para as regiões celestiais, o Mestre lhes acenou com a afirmativa de que "Ele iria na frente para lhes preparar o lugar". Isso naturalmente, para lhes demonstrar que, dada a elevação de seus Espíritos, eles não eram deste mundo e a eles estavam reservadas moradas nas regiões mais sublimes, este ensinamento de Jesus não era exclusivamente destinado aos apóstolos, mas extensível a todas as criaturas.

Transição Planetária


Estamos no limiar da grande transição, em que o nosso planeta passará da condição de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração. 
Isso já constava no planejamento celestial há muito tempo e não se dará, obviamente, num passe de mágica, pois se trata de um processo de transformação lento e gradual, porém, impostergável. 
 As tragédias naturais, como o tsunami do Oceano Índico, objeto de nossas considerações, fazem parte desse processo, pois elas têm o objetivo de fazer a Humanidade progredir mais depressa, através do expurgo daqueles Espíritos calcetas, refratários à ordem e à evolução moral e espiritual, que já não podem mais ser retardadas.
 Eles passarão algum tempo em outras esferas, aprendendo as leis do Amor e do Bem, até que tenham condições de retornar ao nosso planeta, para dar seu contributo em benefício do progresso da Humanidade. 
  Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque, senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso. Substitui-los-ão Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade. 
A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas gerações. Colocados no ponto intermédio, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que lhes são peculiares.

(A GÊNESE, de Allan Kardec – A geração nova, Cap. XVIII – Itens 27 e 28)

Transição Planetária - Bezerra de Menezes (vídeo)