segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Conte comigo


Conte comigo, mesmo sem contar a mim tanta coisa que lhe pesa no coração, que lhe amargura e resseca o fundo d'alma. Conte, nas horas mais abandonadas da vida, quando o olhar, vagando em derredor, só divisar deserto. 
Conte comigo, mesmo sem vontade de contar com ninguém ou certo de que não vale a pena contar com mais ninguém, nesta vida.
 Conte comigo, devagarzinho, deixando que a boa vontade vá dizendo, sem nada forçar, à medida em que acreditar. 
Conte, durante as agonias, que, de um tempo para cá, não deixam em paz seu cansado coração, pois o bom da vida consiste em encontrar um amigo.
 Conte, nas horas inesperadas, quando as tempestades despregam repentinas e tombam por cima da sua cabeça triste. 
Conte comigo, para re-aprender a cantar, durante a vida, e a viver de serenas e pequeninas felicidades. Conte comigo, para eu ajudá-lo a ter rosto bom e quieto, ao menos na presença dos filhinhos menores, que vivem dos rostos abertos. 
Conte, para auxiliá-lo no amargo carregamento da cruz. Conte comigo, para ficar sabendo, de experiência, que há na vida muita coisa linda, coisa escondida, prêmio de quem se venceu na dor. 
Conte, para triunfar, no ritmo vagaroso do dever, na cadência da paz diária, aprendendo a teimar com as teimas da vida madrasta. 
Conte, que são largos os caminhos da vida, esperando os passos duplos de dois amigos que vão, na direção da conversa. Conte comigo, para saber olhar ao alto, buscando a face de um Pai. 
Conte, mesmo para não se entregar aos desânimos e desencantos, de quem anda cheia da vida, do começo ao fim. Conte comigo, que venceremos juntos, anjo da guarda com seu pupilo.
 Conte, que a vida tem ser bela, criando nós as belezas, de dentro para fora, obrigação do coração, missão da Fé. Conte comigo, conte sempre, teimando com você mesmo, que não quer saber de mais nada, ofendido que foi, descrente que anda. 
Conte quando, olhando para a frente, não sente vontade de andar; olhando para trás, tem medo do caminho que andou. Conte comigo, para que tenha valor e beleza cada passo seu, cada dia da vida, cada hora dentro de cada dia.
 Conte, conte mesmo, sabendo que Deus me deu a missão de fazer companhia aos desacompanhados corações dos homens. 

Autor: ALLAN KARDEC

Necessário e Dispensável

O consumismo atual responde por muitos problemas. 
As indústrias do supérfluo apresentam no mercado da vacuidade um sem-número de produtos desnecessários, que aturdem os indivíduos. 
Estimulados pela propaganda bem elaborada, desejam comprar, mesmo sem poder, o que vêem, o que lhes é apresentado, numa volúpia crescente. 
Objetos e máquinas que são o último modelo, em pouco tempo passam para o penúltimo lugar, até ficarem esquecidos em armários ou depósitos de coisas sem valor. 
No entanto, se não fossem adquiridos, naquela ocasião, a vida perderia o sentido para quem os não comprasse. Consumismo é fantasia, transferência do necessário para o secundário. 
O consumidor que não reflete antes de adquirir, termina consumido pelas dívidas que o atormentam. 
Muita gente faz compras, por mecanismos de evasão. Insatisfeitas consigo mesmas, fogem adquirindo coisas mortas, e mais se perturbando. Enquanto grande número de indivíduos se afogam no oceano do supérfluo, multidões inteiras não possuem o indispensável para uma vida digna. Abarrotados, uns, com coisas nenhumas, e outros vitimados por terrível escassez. 
São os paradoxos do século e do comportamento materialista-utilitarista da atualidade. 
Confere a necessidade legítima, antes de te permitires o consumismo. Coisas de fora não equacionam estados íntimos. Distraem a tensão por um momento, sem que operem real modificação interior.
 Quando o excesso te visite, reparte-o com a escassez ao teu lado. Controla e dirige a tua vontade, a fim de não seres uma vítima a mais do tormento consumista.

A arte de ouvir


Onde quer que te encontres, de uma ou de outra forma, despertarás o interesse de alguém. Algumas pessoas poderão arrolar-te como antipático e até buscarão hostilizar-te. Outras se interessarão por saber quem és e o que fazes. Inúmeras, no entanto, te falarão, intentando um relacionamento fraterno. Cada qual sintonizará contigo dentro do campo emocional em que estagia. Como há carência de amigos e abundância de problemas, as criaturas andam a cata de quem as ouça, ansiando por encontrar compreensão. Em razão disso, todos falam, às vezes simultaneamente. Concede, a quem chega, a honra de o ouvir. Não te apresses em cumulá-lo de informações, talvez desinteressantes para ele. Silencia e ouve. Não aparentes saber tudo, estar por dentro de todos os acontecimentos. Nada mais desagradável e descortês do que a pessoa que toma a palavra de outrem e conclui-lhe a narração, nem sempre corretamente. Sê gentil, facultando que o ansioso sintonize com a tua cordialidade e descarregue a tensão, o sofrimento... No momento próprio, fala, com naturalidade, sem a falsa postura de intocável ou sem problema. A arte de ouvir é, também, a ciência de ajudar. 

Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Psicografia Divaldo Pereira Franco 
Livro: Episódios Diários

Trabalho é a lei da vida

O trabalho é lei da vida. Na natureza tudo trabalha... Trabalham os vermes na intimidade da terra, tornando-a fofa e produzindo o humus nutriente para alimentar as plantas. Trabalham os pássaros, na construção dos próprios ninhos e na disseminação do pólem das flores. 
 Trabalham as flores, doando seu perfume ao ar e permitindo o nascimento dos frutos. 
 Trabalham os insetos, polinizando as flores e desempenhando a parte que lhes cabe na estrutura do ecossistema. 
 Trabalham também os rios, fertilizando o solo e dessedentando homens e animais. 
 Trabalham as nuvens, fornecendo a chuva que rega as plantas e purifica a atmosfera. 
 Trabalham as árvores, abrindo seus galhos quais braços fraternos, acolhendo os ninhos e fazendo sombra na caminhada dos homens. 
 Trabalha igualmente o Sol, estrela incansável que jamais deixa de estender seus raios quentes, espancando as trevas e favorecendo a vida. 
 Trabalha a Lua, controlando as marés e deslumbrando os olhares apaixonados dos namorados, que sonham um dia poder oferecê-la a alguém em nome do amor. 
 Trabalham os oceanos, abrigando na intimidade várias formas de vida e transportando, em suas ondas, as embarcações, permitindo a ligação entre os Continentes. Trabalha também o vento, acariciando com igual doçura os carvalhos gigantes e as pequeninas hastes da relva. Tudo em a natureza trabalha... 
 E trabalham também os homens... 
Quem aceitaria, de boa vontade, ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em uníssono? 
 Mas todo trabalho é vazio, exceto quando há amor... 
É pelo trabalho que nos unimos a nós mesmos, unindo-nos uns aos outros e a Deus. 
 E o que é trabalhar com amor? 
 É tecer o tecido com fios desfiados do nosso próprio coração, como se nosso bem-amado fosse usar esse tecido. É construir uma casa com afeição, como se nosso bem-amado fosse habitar essa casa. 
 É semear as sementes com ternura e recolher a colheita com alegria, como se nosso bem-amado fosse comer os frutos. 
 É por em todas as coisas que fazemos um sopro da nossa alma... 
 Quando trabalhamos com amor, somos como uma flauta através da qual o murmúrio das horas se transforma em suave melodia, espalhando notas de alegria no ar, contagiando tudo o que nos rodeiam. 
 A câmara fotográfica nos revela por fora, mas o trabalho nos retrata por dentro. 
 Em tudo aquilo que façamos, na atividade que o Senhor nos haja oferecido, estamos colocando nosso retrato, nossa marca registrada. E quando o trabalhador converte o trabalho em alegria, o trabalho se transforma na alegria do trabalhador. Pensemos nisso!

sábado, 2 de julho de 2016

Aborto - Direito ou Crime?


O primeiro dos direitos naturais do homem é o direito de viver. O primeiro dever é defender e proteger o seu primeiro direito: a vida.
 O mais elementar direito humano é o de nascer. Os outros liberdade, educação, saúde, trabalho, justiça, cidadania... só ganham sentido se houver o ser humano para desfrutá-los. Cercear o direito à vida é negar todos os demais. 
 A Humanidade se divide na hora de definir em qual momento a vida tem início. 
Seria na concepção? Seria antes? Seria depois ? 
Em torno desta divergência surge a dúvida sobre a legitimidade do aborto. 
Grupos pró e contra levantam suas bandeiras, centrados no foco de seus respectivos interesses. 
 Há posições das diversas ciências como psicologia, antropologia, medicina.
 Há postulados morais e religiosos. 
Há as diferentes correntes sócio-políticas. 
 No meio desta Babel, fomos buscar informações com o Grupo Arte-Nascente, jovens que se dedicam à pesquisa do assunto e a ações de valorização da vida. 

 O BRASIL E O ABORTO 
 O Brasil é o país mais cristão do mundo. 
A quase totalidade de sua população está distribuída entre os segmentos católico, evangélico e espírita. No entanto, carrega um troféu nada lisonjeiro, frontalmente contrário aos princípios cristãos: é o campeão mundial do aborto, onde a taxa de interrupção supera a taxa de nascimento. 
A cada hora, 168 crianças deixam de nascer. Cerca de 30% dos leitos hospitalares reservados à Ginecologia e Obstetrícia são ocupados por pacientes sofrendo conseqüências de abortos provocados. Embora haja mulheres de todas as idades e condições sócio-econômicas variadas, a maioria é de adolescentes, despreparadas para assumir a maternidade ou apavoradas com a reação dos pais e da sociedade. 
 Esta situação fez surgir no país grupos dispostos a legalizar o aborto, torná-lo fácil, acessível, higiênico, juridicamente correto.
 Os argumentos são os mais diversos: o direito da mulher sobre o seu próprio corpo, as condições sócio-econômicas para educar um filho, a violência sexual contra a mulher, problemas de má formação fetal, gravidez indesejada, rejeição do filho pelo pai, e as más condições em que são realizados os abortos clandestinos. 
 No Congresso Nacional há um projeto de lei PL 20/91, favorável ao atendimento do aborto legal pelo Sistema Único de Saúde. Em contrapartida houve um projeto de emenda constitucional PEC 25AJ95 que pretendeu incluir no texto da Constituição o direito à vida "desde a sua concepção". 
 Num universo de 524 deputados, apenas 32 foram favoráveis. Os demais foram contra ou se omitiram.
 Os grupos pró-aborto acreditam que estão agindo da forma correta e que defendem a vida. Talvez estivessem, se o feto fosse apenas um apêndice do corpo. 

 A VOZ DA CIÊNCIA 
 A verdade como sempre, vem da Espiritualidade Superior, manifestada nas várias religiões, e depois é confirmada pela Ciência, voz capaz de convencer ao mais incrédulo ser. 
 É o que está acontecendo em relação à concepção e ao aborto. 
Os inúmeros relatos mediúnicos, confirmam que o feto é uma vida cujo advento foi preparado minuciosamente por tecnologia ainda muito além da compreensão dos mais renomados cientistas. 
As condições do corpo, as condições de nascimento, tudo é preparado de forma adequada ao cumprimento do seu roteiro de provas, expiações e missões. Interromper a gravidez é impedir que o espírito evolua, que resgate seus débitos ou que cumpra missão de apoio à sua mãe e familiares, a quem está ligado há incontáveis encarnações. 
As conseqüências são negativas, desarticulando a saúde física da mãe e desequilibrando ambos os espíritos. 
 Para confirmar estes fatos ou aprofundar a análise, o leitor poderá recorrer às obras de Kardec, Emmanuel, André Luiz e muitos outros, à disposições nas livrarias espíritas. 
 Estas afirmações estariam restritas ao campo filosófico-espiritual, se a ciência, ainda que tímida, não as confirmasse. Inúmeros estudos comprovam a existência de vida desde o momento da concepção: Brandley Patten, em seu livro "Human Embriology" explica que o zigoto, formado pelo espermatozóide e o óvulo, é um ser humano, um novo indivíduo dotado de vida nova e pessoal. "O feto não é apenas uma massa celular viva, nem um simples pedaço do corpo da mãe, mas um ente autônomo que depende da alimentação materna." Jérome Lejune, especialista em genética fundamental afirma "a vida começa na fecundação. 
Quando os 23 cromossomos masculinos transportados pelo espermatozóide se encontra com os 23 cromossomos do óvulo da mulher, todos os dados genéticos que definem o novo ser humano já estão presentes. A fecundação é o marco do início da vida. Daí para frente, qualquer método artificial para destruí-lo é um assassinato." E. Nathanson, ginecologista, ex-diretor da maior clínica abortiva do mundo, apresentou declarações, referentes ao aborto, defendendo a condição humana do feto. "Talvez alguns pensem que antes de meus estudos devia saber, já que era médico e, ademais, ginecologista, que o ser concebido é uma criatura humana... Efetivamente, eu sabia, porém não havia comprovado eu mesmo e de modo científico... hoje, com técnicas modernas se pode tratar dentro do útero muitas enfermidades, e também efetuar até cinqüenta espécies de operações cirúrgicas. São estes os argumentos científicos que mudaram o meu modo de pensar, e este até agora o meu argumento.
 Se o ser concebido é um paciente a quem se pode tratar até cirurgicamente, então é uma pessoa e se é uma pessoa, tem direito à vida e também tem direito a que nós, médicos e pais, procuremos conservá-la." 
Quem já teve oportunidade de assistir a filmes intra-uterinos dos processos abortivos verificou o silencioso terror dos fetos e sua desesperada luta para sobreviver. São filmes muito mais impressionantes que aqueles que retratam a violência, os assassinatos espetaculares tão ao gosto do Homem do Século XX. Por si só, convencem sobre a realidade da vida, a partir da concepção. Num ponto, Ciência e Religião já caminham juntas: em raríssimos casos, o aborto pode ser aceito, se a gravidez oferece risco à vida da mãe. Neste caso é preciso optar pelo ser que existe há mais tempo e que se encontra em plena tarefa evolutiva.
Neste caso, a Espiritualidade aplica recursos que permitam ao espírito do filho desligar-se da mãe de maneira menos traumática possível e aguardar urna nova oportunidade de reencarnar-se. 
Vale ressaltar que nem mesmo no caso de estupro, o aborto é aceito. Se a mãe não tiver condições de criar o filho, por motivos psicológicos, econômicos ou outros, melhor é entregá-lo à adoção, se possível a familiares. 

 QUAL É A SOLUÇÃO? 
 O respeito à vida, desde que se inicia é fundamental. 
O acaso não existe, portanto, mulher nenhuma engravida por acaso. 
O espírito que a ela se liga, no momento da concepção, é alguém que depende dela para crescer, educar-se, evoluir. 
 O assunto porém, não está afeto apenas à mulher. O pai tem sua parcela de responsabilidade e deve apoiar a ambos, mãe e filho. Hoje, graças aos testes de DNA, dificilmente alguém poderá fugir a esta responsabilidade. 
 A sociedade também tem preponderante papel neste caso. Em lugar de apoiar o aborto, discriminar a mãe solteira, incentivar a excessiva liberdade sexual e aceitar passivamente que milhões de homens rejeitem seus filhos, nascidos de ligações lícitas e ilícitas, deve assumir outras ações mais eficientes. 
 A primeira delas é o incentivo à educação dos jovens sobre métodos de planejamento familiar, saúde sexual e suas implicações morais. Cientistas, políticos, educadores e comunicadores podem, e devem, reavaliar suas ações em relação ao aborto, a partir do reconhecimento que ele é um assassinato, e como tal deve ser combatido. Até agora, os órgãos governamentais e a mídia tem tratado os problemas sociais, combatendo apenas o efeito. Um exemplo é o gasto de milhões de reais em confecção e distribuição de preservativos bem como a veiculação de peças publicitárias paliativas e inócuas. Centrar as ações na remoção das causas será gratificante. 
O apoio aos pais carentes, através de política de combate aos males sociais como desemprego, falta de acesso à educação e saúde, aliado a intensa campanha de informação, são caminhos a tomar. 
 Os resultados não serão imediatos. Mas se houver a participação de cada um, em seu respectivo campo de ação, as soluções surgirão ao longo dos anos. 
Gradativamente, o aborto deixará de ser uma prática comum para tornar-se medida de exceção, somente utilizada em caso de risco de vida. 
 Nossa esperança é que as gerações futuras conheçam o aborto como hoje conhecemos a guilhotina: um primitivo meio de execução, perdido na memória dos tempos.

 Revista Espírita Allan Kardec. Edição de Nº 32.

Na hora da crise

Na hora da crise, emudece os lábios e ouve as vozes que falam, inarticuladas, no imo de ti mesmo. Perceberás, distintamente, o conflito. 
É o passado que teima em ficar e o presente que anseia pelo futuro. É o cárcere e a libertação. 
 A sombra e a luz. A dívida e a esperança. É o que foi e o que deve ser. 
Na essência, é o mundo e o Cristo no coração. 
Grita o mundo pelo verbo dos amigos e dos adversários, na Terra e além da Terra. 
Adverte o Cristo, através da responsabilidade que nos vibra na consciência. 
Diz o mundo: acomoda-te como puderes. 
Pede o Cristo: levanta-te e anda. 
Diz o mundo: faze o que desejas.
Pede o Cristo: não peques mais. 
Diz o mundo: destrói os opositores. 
Pede o Cristo: ama os teus inimigos. 
Diz o mundo: renega os que te incomodem. 
Pede o Cristo: ao que te exija mil passos, caminha com ele dois mil. 
Diz o mundo: apega-te à posse. 
Pede o Cristo: ao que te rogue a túnica cede também a capa. 
Diz o mundo: fere a quem te fere. 
Pede o Cristo: perdoa sempre. 
Diz o mundo: descansa e goza. 
Pede o Cristo: avança enquanto tens luz. 
Diz o mundo: censura como quiseres. 
Pede o Cristo: não condenes.
Diz o mundo: não repares os meios para alcançar os fins. 
Diz o Cristo: serás medido pela medida que aplicares aos outros. 
Diz o mundo: aborrece os que te aborreçam. 
Pede o Cristo: ora pelos que te perseguem e caluniam. 
Diz o mundo: acumula ouro e poder para que te faças temido.
Diz o Cristo: provavelmente nesta noite pedirão tua alma e o que amontoaste para quem será?
Obsessão é também problema de sintonia. 
O ouvido que escuta reflete a boca que fala. 
O olho que algo vê assemelha-se, de algum modo, à coisa vista. Não precisas, assim, sofrer longas hesitações nas horas de tempestade. 
Se realmente procuras caminho justo, ouçamos o Cristo, e a palavra dele, por bússola infalível, traçar-nos-á rumo certo. 

Chico Xavier. Religião dos Espíritos. 
Pelo Espírito Emmanuel. 

Tudo passa, com Chico Xavier (vídeo)


Saibamos confiar

"Não andeis, pois, inquietos." Jesus. (MATEUS, 6:31.) 
 Jesus não recomenda a indiferença ou a irresponsabilidade. O Mestre, que preconizou a oração e a vigilância, não aconselharia a despreocupação do discípulo ante o acervo do serviço a fazer. Pede apenas combate ao pessimismo crônico. Claro que nos achamos a pleno trabalho, na lavoura do Senhor, dentro da ordem natural que nos rege a própria ascensão. 
 Ainda nos defrontaremos, inúmeras vezes, com pântanos e desertos, espinheiros e animais daninhos. Urge, porém, renovar atitudes mentais na obra a que fomos chamados, aprendendo a confiar no Divino Poder que nos dirige. 
Em todos os lugares, há derrotistas intransigentes. Sentem-se nas trevas, ainda mesmo quando o Sol fulgura no zênite. Enxergam baixeza nas criaturas mais dignas. Marcham atormentados por desconfianças atrozes. E, por suspeitarem de todos, acabam inabilitados para a colaboração produtiva em qualquer serviço nobre. 
 Aflitos e angustiados, desorientam-se a propósito de mínimos obstáculos, inquietam-se, com respeito a frivolidades de toda sorte e, se pudessem, pintariam o firmamento à cor negra para que a mente do próximo lhes partilhe a sombra interior. 
 Na Terra, Jesus é o Senhor que se fez servo de todos, por amor, e tem esperado nossa contribuição na oficina dos séculos. A confiança dEle abrange as eras, sua experiência abarca as civilizações, seu devotamento nos envolve há milênios... Em razão disso, como adotar a aflição e o desespero, se estamos apenas começando a ser úteis?

Chico Xavier. Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel.

Qualidade da prece


Quando orardes, não vos assemelheis aos hipócritas, que, afetadamente, oram de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas para serem vistos pelos homens. Digo-vos, em verdade, que eles já receberam sua recompensa. Quando quiserdes orar, entrai para o vosso quarto e, fechada a porta, orai a vosso Pai em secreto; e vosso Pai, que vê o que se passa em secreto, vos dará a recompensa. Não cuideis de pedir muito nas vossas preces, como fazem os pagãos, os quais imaginam que pela multiplicidade das palavras é que serão atendidos. Não vos torneis semelhantes a eles, porque vosso Pai sabe do que é que tendes necessidade, antes que lho peçais. 
 (S. MATEUS, cap. VI, vv., 5 a 8.) 
 Quando vos aprestardes para orar, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai-lhe, a fim de que vosso Pai, que está nos céus, também vos perdoe os vossos pecados. Se não perdoardes, vosso Pai, que está nos céus, também não vos perdoará os pecados.
 (S. MARCOS, cap. XI, vv. 25 e 26.)
 Também disse esta parábola a alguns que punham a sua confiança em si mesmos, como sendo justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu, publicano o outro. O fariseu, conservando-se de pé, orava assim, consigo mesmo: Meu Deus, rendo-vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem mesmo como esse publicano. Jejuo duas vezes na semana; dou o dízimo de tudo o que possuo. O publicano, ao contrário, conservando-se afastado, não ousava, sequer, erguer os olhos ao céu; mas, batia no peito, dizendo: Meu Deus, tem piedade de mim, que sou um pecador. Declaro-vos que este voltou para a sua casa, justificado, e o outro não; porquanto, aquele que se eleva será rebaixado e aquele que se humilha será elevado. 
 (S. LUCAS, cap. XVIII, vv. 9 a 14.) 
 Jesus definiu claramente as qualidades da prece. Quando orardes, diz ele, não vos ponhais em evidência; antes, orai em secreto. Não afeteis orar muito, pois não é pela multiplicidade das palavras que sereis escutados, mas pela sinceridade delas. Antes de orardes, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai-lhe, visto que a prece não pode ser agradável a Deus, se não parte de um coração purificado de todo sentimento contrário à caridade. Orai, enfim, com humildade, como o publicano, e não com orgulho, como o fariseu. Examinai os vossos defeitos, não as vossas qualidades e, se vos comparardes aos outros, procurai o que há em vós de mau. (Cap. X, n.7 e n.8.)

Reflexão com Padre Fábio de Melo