terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Oração e Trabalho (palestra)


Prece do Pão

Senhor ! Entre aqueles que te pedem proteção, estou eu também, servo humilde a quem mandaste extinguir o flagelo da fome. Partilhando o movimento daqueles que te servem, fiz hoje igualmente o meu giro. Vi-me frequentemente detido, em lares faustosos, cooperando nas alegrias da mesa farta, mas vi pobres mulheres que me estendiam, debalde, as mãos !... Vi crianças esquálidas que me olhavam ansiosas, como se estivessem fitando um tesouro perdido. Encontrei homens tristes, transpirando suor, que me contemplavam agoniados, rogando em silêncio para que lhes socorresse os filhinhos largados ao extremo infortúnio... Escutei doentes que não precisavam tanto de remédio, mas de mim, para que pudessem atender ao estômago torturado! ... Vi a penúria cansada de pranto e reparei, em muitos corações desvalidos, mudo desespero por minha causa. Entretanto, Senhor, quase sempre estou encarcerado por aquelas mesmas criaturas que te dizem honrar. Falam em teu nome, confortadas e distraídas na moldura do supérfluo, esquecendo que caminhaste no mundo, sem reter uma pedra em que repousar a cabeça. Elogiam-te a bondade e exaltam-te a glória, sem perceberem junto delas, seus próprios irmãos fatigados e desnutridos. E, muitas vezes, depois de formosas dissertações em torno de teus ensinos, aprisionam-me em gavetas e armários, quando não me trancam sob a tela colorida de vitrines custosas ou no recinto escuro dos armazéns. Ensina-lhes, Senhor, nas lições da caridade, a dividir-me por amor, para que eu não seja motivo à delinquência. E, se possível, multiplica-me, por misericórdia, outra vez, a fim de que eu possa aliviar todos os famintos da Terra, porque um dia, Senhor, quando ensinavas o homem a orar, incluíste-me entre as necessidades mais justas da vida, suplicando também a Deus: "O pão nosso de cada dia dai-nos hoje." 

Pelo Espírito: MEIMEI Psicorafia: Francisco Cândido Xavier Livro: " O Espírito da Verdade" EDIÇÃO FEB

Cuidando do corpo


Deepak Chopra é médico formado na Índia, com especialização em Endocrinologia nos Estados Unidos, onde está radicado desde a década de setenta. Filósofo de reputação internacional, já escreveu mais de três dezenas de livros, sendo um dos mais respeitados pensadores da atualidade. A respeito do ser humano saudável, ele escreveu: Somos as únicas criaturas na face da Terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos! Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificadas por eles. Um surto de depressão pode arrasar nosso sistema imunológico. Apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente. A alegria e a realização nos mantêm saudáveis e prolongam a vida. A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse. Nossas células estão constantemente processando as experiências e metabolizando-as, de acordo com nossos pontos de vista pessoais. Quando nos deprimimos por causa da perda de um emprego, projetamos tristeza por toda parte no corpo. A produção de neurotransmissores, por parte do cérebro, se reduz. Baixa o nível de hormônios. O ciclo de sono é interrompido. As plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos. Os receptores neuropeptídicos, na superfície externa das células da pele, se tornam distorcidos. E, até nossas lágrimas passam a conter traços químicos diferentes das lágrimas de alegria. Contudo, nosso perfil bioquímico é alterado, quando nos encontramos em nova posição. A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido. Assim, se desejamos saber como está nosso corpo hoje, basta que nos recordemos do que pensamos ontem. Se desejamos saber como estará nosso corpo amanhã, será suficiente que examinemos nossos pensamentos hoje. Abrir nosso coração para a alegria, às coisas positivas é medida salutar. Se desejamos gozar de saúde física, principiemos a mudar nossa maneira de pensar. Não foi por outro motivo que o Celeste Médico das nossas almas, conhecedor profundo de todas as leis que regem nosso planeta, foi pródigo em exortações como: Não vos inquieteis, dizendo: "Que comeremos" ou "Que beberemos", ou "Que vestiremos"? Pois estas coisas os gentios buscam. De fato, vosso Pai Celestial sabe que necessitais de todas estas coisas. Portanto, não vos inquieteis com o amanhã, pois o amanhã se inquietará consigo mesmo! Basta a cada dia o seu mal. Com isso, recomendava que não nos deixássemos abraçar pela ansiedade. E mais: Andai como filhos da luz. Ora, os filhos da luz iluminam, vibram positivamente, porque luz tem a ver com tudo de bom. Pensemos nisso e cultivemos saúde física. Afinal, necessitamos de um corpo saudável para bem atender os compromissos que nos cabem. Que se diria de quem não cuidasse de seu instrumento de trabalho?  

Redação do Momento Espírita, com dizeres do texto Mutantes, de Deepak Chopra e dos versículos 31, 32 e 34 do cap. 6 do Evangelho de Mateus. Em 19.03.2012.

A mudança é de dentro pra fora (palestra)


Filosofia de compreensão

No transcurso de um dia, não faltam motivos para revides, agressões, quedas morais. Uma pessoa desatenta choca-se contigo e não se desculpa. Outra, irreverente, diz-te um doesto e segue, sorrindo. Mais alguém, em desequilíbrio, não oculta a animosidade que lhe inspiras. Outrem mais, de quem sabes que te censura, e, mentindo contra ti, acusa-te, levianamente... Tens vontade de reagir. "Também sou humano"  costumas pensar. Somente que reações semelhantes àquelas não resolvem o problema. Deves nivelar-te às pessoas, pelas suas conquistas e títulos de enobrecimento, numa linha superior, e não pela sua mesquinhez. Ninguém passa, na Terra, sem provar a taça da incompreensão. Cada qual julga os outros pelos próprios critérios, mediante a sua forma de ser, como é natural. O que se não possui, é desconhecido; portanto, difícil de identificado noutrem. Não é necessário que se te despersonalizes evitando apresentar-te conforme és. Faz-se mister que te superes vencendo a parte negativa do teu caráter, aquela que censuras nos outros. Lapidando as tuas arestas, tornar-te-ás melhor e mais feliz. Aqueles que são exigentes, que gostam de aclarar tudo, resolver as situações que lhes surgem, padecem de distúrbios emocionais, sofrem ulcerações gástricas e uodenais, vivem indispostos. Será que esses perturbadores e insolentes do caminho merecem que te desarmonizes? Segue em paz, durante todo o teu dia, e arrima-te na filosofia da compreensão e da solidariedade, ajudando-os, sem reagires contra eles. Isto será melhor para ti e para todos. 

 Pelo Espírito: JOANNA DE ÂNGELIS Psicografia: Divaldo Pereira Franco. Livro: Episódios Diários

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Deus simplesmente é...


O que é Deus? 
Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, item l. 

O Ser cuja realidade transcende o próprio universo permanece ainda incompreendido pela grande maioria de suas criaturas, de seus filhos. O homem já nasce com a intuição de que existe uma força soberana que se irradia em todo o universo, à qual dá o nome de Deus. Entretanto, sabemos que a verdade, assemelha-se à luz da aurora, que vai clareando lentamente até atingir a exuberância do sol do meio-dia. O conhecimento do homem a respeito de seu Criador não foge à regra. Inicialmente, não podendo compreender os atributos de um ente espiritual que detém todo o poder e todas as perfeições num grau absoluto, o homem passou a humanizar Deus, transformando-o segundo os seus conceitos, à sua imagem e à sua própria semelhança. Começa a emprestar ao Criador Supremo suas próprias imperfeições e cria a imagem de um Deus antropomórfico. O homem transforma Deus numa divindade humanizada, que se ira, sente raiva, precisa de sacrifícios para aplacar sua sede de justiça e sangue; enfim, personaliza o Criador, atribuindo-lhe a imagem de um ancião de longas barbas, dominando um paraíso beatífico e pronto para irar-se ao primeiro sinal de rebeldia ou ignorância de suas criaturas, de seus filhos. A ignorância do homem colocou a divindade tão distante do ser humano que se tornou quase impossível à criatura chegar-se ao Supremo Senhor, o Pai. Observamos, por exemplo, como a ideia a respeito de Deus evoluiu no transcorrer dos milênios. Segundo a tradição bíblica, os filhos de Adão estabeleceram o culto à divindade oferecendo sacrifícios e oferendas ao ser que entendiam ser Deus. Caim e Abel, na alegoria dos livros hebraicos (Gn 4:3-4), começaram com suas dádivas, frutos da terra e sacrifícios de animais, e estatuíram a primeira forma de culto, quando a criatura, em sua ignorância, pôde perceber, de maneira imprecisa, a presença de Deus na criação. A partir daí o homem passou a desenvolver seu próprio conceito de Deus, humanizando-o, indo desde a adoração às forças da natureza até o estabelecimento de um sistema ritual que incluía sacrifícios, manjares e muito sangue para tentar agradar a divindade, conforme se pode ler no Pentateuco, conjunto de livros bíblicos supostamente escritos por Moisés. No sistema de culto estabelecido pelos hebreus, Deus era visto como uma divindade que necessitava de sangue e outras demonstrações inferiores para se satisfazer. Na realidade, esse tipo de culto primitivo não passava de uma tentativa de barganhar com a divindade. Com Jesus, no entanto, caiu o véu que encobria os olhos do homem; ele trouxe-nos um conceito de Deus mais compatível com a realidade universal. Jesus chamou Deus de Pai e falou, em suas palavras sábias, que "tempo virá que os verdadeiros adoradores do Pai o adorarão em espírito e verdade, porque Deus é espírito, e importa que seja adorado em espírito e verdade" (Jo 4-23-24). Compreende-se, com Jesus, que Deus é Amor, Justiça, Vida; enfim, é o Pai de todas as criaturas, o princípio sobre o qual se sustenta a idade do universo. Cai por terra todo o sistema de sacrifícios e barganhas que o homem tentou incutir em sua mente a respeito de Deus. Mas é com a Doutrina Espírita, que se estabelece o conceito de que Deus é Consciência Cósmica, que a humanidade marcha para uma compreensão cada vez mais ampla da divindade. Descartando a ideia de um Deus antropomórfico, que se confunde com a própria criatura, os imortais revelam que Deus é a causa causal de todas as coisas, a Consciência Suprema sempre presente em todo o universo, transcendendo com esse conceito todos os outros até então trazidos para a humanidade. Deus não é mais personificado, é o Espírito do Universo. Por analogia, podemos compará-lo ao que o espírito encarnado é para o corpo físico. Deus é Espírito, disse Jesus. O espírito é uma consciência que rege o mundo orgânico. Cada órgão, cada célula, cada átomo do corpo físico acha-se intimamente ligado ao espírito, embora o espírito não seja a soma desses órgãos. Sem o espírito, o corpo seria apenas uma massa disforme, não um homem. Deus é a Consciência que estabelece a ordem e a harmonia do universo. Cada constelação, cada galáxia, cada planeta, cada sol, cada erva, cada átomo é eternamente preenchido pela Consciência divina. Deus é imanente a toda a criação. Mas a criação não é o Criador. Ele é a Consciência que fecunda de vida todo o universo, que mantém os mundos na amplidão, em sua eterna marcha, suspensos sob sua atuação, nos espaços infinitos. Mas a realidade divina transcende tudo isso. Imaginai por um momento o aspecto físico e energético do universo. O conjunto dos sistemas siderais, os reinos estelares, as famílias planetárias com o cortejo de humanidades que carregam consigo, as galáxias e universos, cuja grandeza foge à capacidade de compreensão dos seres criados. Além disso, nessa realidade física, desdobrando-se em outras faixas vibratórias, que também fogem à compreensão do homem terreno, vibram seres e coisas, outra realidade, outras dimensões. Aí igualmente está presente, coordenando, orientando, mantendo a existência de todas as coisas que vivem em estados diferentes da matéria física, a Consciência Universal, Deus. Além desses outros campos de vida, adentrando o domínio de campos energéticos e, mais ainda, de abstrações mentais, mundos que superam a própria existência do tempo e do espaço, da forma e das dimensões conhecidas pelo homem, a Consciência Cósmica de Deus a tudo preside, a tudo governa, a tudo mantém. E de analogia em analogia entendemos, através de mil conceitos, o que a Doutrina Espírita diz ao afirmar que Deus é a "causa primária de todas as coisas", imanente e transcendente a toda a criação. Ele está presente em cada coisa, desde o átomo à erva que nasce no campo, ao homem que não o compreende em Sua grandeza, aos sistemas na imensidade. Mas Deus está igualmente além de qualquer realidade objetiva ou subjetiva, além de qualquer fronteira vibratória, de qualquer limite que a imaginação possa conceber, irradiando seu pensamento soberano em todas as partes do universo e eternamente presente em qualquer lugar. O universo se apresenta como a materialização do pensamento divino. Sua essência incompreendida é sempre presente. Sua presença e existência resultam nas Leis Universais, que as criaturas estudam através dos séculos. Sua eterna presença é Lei. Paira acima de qualquer conceito filosófico ou definições existentes ou que venham a existir a respeito dele. Imanência e transcendência. O conceito que o Espiritismo vos mostra a respeito de Deus prepara-vos para viver na Era Cósmica que se avizinha. Seus atributos de eternidade, atemporalidade, onisciência, onipotência, onipresença, já longamente discutidos em todas as religiões, na Doutrina dos Imortais são ampliados com a visão cósmica de Deus. Não podemos comparar a Divindade a uma força ou energia, pois força e energia são perfeitamente explicáveis pelos modelos da nomenclatura científica terrena. O Ser onisciente é mais ainda do que qualquer conceito o possa definir. No ensinamento bíblico, quando Moisés perguntou ao Enviado do Eterno quem ele era, a resposta foi: "Eu sou o que sou" (Ex 3:14). Esse nome, embora incompreensível para a maioria dos mortais, encerra a verdade de que Deus permanece indefinível pelo vocabulário humano. Certo que podemos nos aproximar de uma compreensão de seus atributos, mas defini-lo é ainda impossível. Compreendê-lo ainda é difícil, mas com a vinda de Jesus e a revelação espírita ampliou-se o entendimento a respeito dos atributos da Divindade. O que mais podemos fazer é, a partir de comparações, tentar nos aproximar o mais possível, na medida de nossa acanhada compreensão, da grandeza do Todo-Sábio. A realidade inquestionável é que Deus é Pai, na definição mais clara que Jesus pôde dar à humanidade. Ao analisarmos os primeiros momentos conhecidos da vida universal, as primeiras manifestações da vida no micro ou macrocosmo, podemos perguntar: Existiu um poder idealizador e organizador que deu origem ao universo? Quem ou Que deu a base e formulou as leis que desde o princípio presidiram a evolução? De onde surgiu a primeira informação que ordenou as moléculas do DNA? Onde está a inteligência dinâmica que estruturou o primeiro átomo ou que deu carga elétrica ao primeiro elétron? Ao observarmos a perfeição das leis e sua estrutura material tal como foram descobertas por físicos e sábios de variadas épocas, perguntamos: Quem estatuiu ou o Que elaborou tais leis de forma que elas regulem cada segmento da vida universal? Necessariamente, a razão nos impele para a existência de um plano diretor de todas as formas do universo. Como disse certo sábio de vosso mundo, "Caso Deus não existisse, teríamos de inventá-lo, para encontrar a razão de ser de tudo o que existe". Diante de simples observações materiais, qualquer ser com um mínimo de bom senso compreende que há uma intenção organizadora e modeladora por traz de tudo o que existe. Caso a Terra estivesse afastada do Sol apenas um único centímetro a mais da distância em que se encontra, jamais a vida teria chance de se desenvolver da forma como se desenvolveu em sua superfície. Observando a Lua, as leis que regulam as forças que a prendem em suas balizas, compreende-se que, se as forças gravitacionais que a sustentam fossem dispostas um grau a mais ou a menos do que se observa, o satélite de vosso planeta seria arrastado irremediavelmente para a superfície planetária ou se arrojaria ao espaço, causando cataclismos climáticos e geológicos que, com certeza, impediriam a vida de se organizar tal como se organizou ao longo dos milênios. Com relação ao próprio Sol, centro do vosso sistema planetário, com seu sistema equilibrado de fusão e fissão nuclear, caso não fosse estabelecido o equilíbrio entre sua pressão interna e externa, não teria passado de uma bomba de proporções galácticas, e a vida em vosso mundo não teria se desenvolvido conforme observais atualmente. Observando mais de perto, vemos como a simples existência dos raios ultravioleta ou outras radiações perigosas vindas do cosmos fez surgir a necessidade de uma película protetora de ozônio que impedisse esses mesmos raios de destruir a vida organizada. Tudo isso e muito mais leva a pensar seriamente que há uma intenção por trás de tudo o que existe e um planejamento divinamente orientado para estatuir as leis, as distâncias, as forças que regulam a vida e suas manifestações em toda parte do universo. Em tudo está a Consciência de Deus, elaborando a vida, dinamizando as leis, regulando a evolução de uma forma maravilhosa. Alonguemos mais as nossas observações e aprofundemo-nos nos conceitos, sem, contudo, perder a simplicidade. A existência de um Ente Supremo, de uma Consciência que tudo orienta, que tudo gerou, desperta em nós a compreensão de que essa inteligência, para administrar tudo isso, todo o complexo da vida cósmica, há de ser necessariamente onisciente. Esse Ser deve saber com antecedência e em plenitude tudo aquilo que deve acontecer, todos os passos de suas criaturas, todas as escolhas e, necessariamente, todas as consequências dessas escolhas. É impossível conceber a Suprema Consciência sem o atributo da onisciência. Portanto, podemos entender que todos os caminhos escolhidos, todas as lutas e fracassos, vitórias ou derrotas que o ser experimenta ao longo de sua trajetória evolutiva terão de ser conhecidos, previstos e admitidos no plano diretor do Todo-Sábio. Contudo, não podemos dizer, resolvendo essas questões filosóficas de uma forma simplista, que os seres criados estejam fadados a uma lei inexorável da qual não podem furtar-se ou subtrair-se. Ao lado da onisciência do Poder Criador e da Mente Diretora do Universo, a providência divina é, igualmente, um atributo ou uma forma de a Suprema Consciência definir as variáveis que auxiliarão os seres criados na escolha a seguir. Em fases embrionárias ou infantis da vida no cosmos, é necessária a polaridade, a visão dualista do mundo, a fim de que os seres se situem no contexto educativo da vida e administrem a possibilidade de escolher. O bem e o mal, dessa forma, aparecem no cenário do mundo como as trevas em relação à luz, o caos em relação à ordem. Durante a fase infantil da evolução anímica, é preciso a existência dos contrastes para que o ser compreenda a real grandeza do caminho do bem. Mesmo assim, suas escolhas foram previstas pela Onisciente Sabedoria, que dispõe de leis para regular o processo educativo de seus filhos. Surge então, no cenário do mundo, o elemento dor, necessariamente vinculado à própria manifestação da lei que regula os efeitos em relação com as causas. A dor assume um papel importante na vida orgânica do universo. A lei que a regula em sua intensidade foi propositadamente gerada pela mente do Todo-Poderoso. Dor e sofrimento são recursos inseridos no próprio programa de desenvolvimento do cosmos a fim de regular as ações das criaturas e marcar a necessidade de retorno do caos aparente para a ordem real. Toda vez que algum ser ou alguma parte do universo tende ao caos ou à desarmonia, a dor e o sofrimento surgem como forças dinâmicas que atuam em sentido educativo e coercitivo, orientando a parte desarmônica para o sentido pleno da vida — a ordem e a harmonia. A dor traz em si mesma, implícita em sua própria existência, uma lei de auto-extermínio. Ou seja, a dor consome-se a si mesma, tão logo o ser se adapte à rota do bem, da ordem e da equidade. Tudo isso foi previsto pela onisciência do Todo-Poderoso. Conhecendo com antecedência as escolhas, os acertos e desacertos de seus filhos, antes mesmo de serem criados, estatuiu as leis morais, para que pudessem regular as relações e as decisões, de forma que ninguém se perca na caminhada. As leis morais, juntamente com as leis físicas, servem como prova para todas as criaturas de que existe um planejamento oculto, um direcionamento de cada ser, cada situação, para um fim determinado, e de que é impossível que alguém ou algum ser, em qualquer parte do universo, aja ou escolha um caminho contrário à lei de Deus. Toda vez que, na visão limitada e estreita do homem terrestre, o ser escolhe um caminho equivocado, produzindo o mal, a lei geral da harmonia entra em ação, e surge a dor como elemento reparador e educador, orientando o ser para a readaptação. O processo da vida orgânica do mundo contém em si todos os recursos de forma a regular os atos morais da criatura, e, assim, onisciência e providência divinas convivem com absoluta perfeição, orientando o universo moral. A Suprema Sabedoria dispôs o universo como berço da vida. Galáxias, sóis, planetas, poeira estelar existem unicamente com a finalidade de aconchegar a vida. Tudo foi disposto com objetivos definidos. Assim, cada ser minúsculo do vosso mundo, cada criatura, verme, vírus ou outra qualquer forma de vida existem para o perfeito equilíbrio do ecossistema da vida universal. Diante da complexidade e da variedade da vida no mundo, a única forma de vida que, ao manifestar-se, pode usufruir e entrar em relação direta com as outras formas de vida, interferir, criar, destruir, amar, odiar, sentir e raciocinar é a forma inteligente. Todos os outros seres que antecedem o homem na escala evolutiva estão na condição de ensaios da vida. O ser inteligente é o único capaz de transformar e auto transformar-se, com consciência, e direcionar-se inteligentemente nas múltiplas escolhas que a Suprema Lei faculta aos seres. A Suprema Inteligência, ao estatuir as leis do universo, insuflou nas próprias leis a condição de que os seres criados as descobrissem e compreendessem. Organizou o universo como um sistema orgânico em que mundos e sóis funcionassem à semelhança de subsistemas. Sociedades de espíritos, de seres inteligentes ou não, biosferas, culturas e mundos são diretamente influenciados pelas criaturas pensantes, que provocam com suas escolhas as reações que desencadeiam as transformações ocorridas no mundo. O homem é o agente de Deus para a evolução do próprio universo. As leis físicas, espirituais e morais foram formadas e elaborações de tal maneira, que o próprio ser possa provocar, acelerar ou dinamizar as transformações sociais, políticas, filosóficas, religiosas, evolutivas ou biológicas, alterando profundamente o ecossistema universal. Qualquer que seja sua escolha, na finalidade do processo em que se situa, o homem sempre estará participando ativamente do aperfeiçoamento da vida. Ao atuar fisicamente no mundo, influenciando-o com suas escolhas de uma forma negativa, entram em ação as leis físicas, imediatamente, que ativarão suas defesas para recuperar e reorganizar a parte em conflito. Da mesma maneira, quando o indivíduo atua no universo moral, também devido às suas escolhas, influenciando de forma equivocada o contexto em que se situa, as leis morais determinarão elementos reparadores para sua reeducação. De qualquer ângulo que se observe, seja pela disposição material, física, moral ou religiosa em que todas as coisas possam se manifestar, não há como excluir a ideia de Deus, de uma Consciência Organizadora, idealizadora e diretora de tudo o que existe. Por trás de tudo, está Deus; tudo o que existe está mergulhado e existe em Deus, nada pode ser concebido fora de Deus. Essa é a realidade primeira e última da criação. Deus está sempre presente na criação, mas não é a própria criação. O Criador não se confunde com a criatura. Deus simplesmente é... 

Compilado do livro Gestação da Terra Autor: Alex Zarthu (Espírito) e Robson Pinheiro

A escolha das provas (palestra)


As missões, a vida superior

Todo Espírito que deseja progredir, trabalhando na obra de solidariedade universal, recebe dos Espíritos mais elevados uma missão particular apropriada às suas aptidões e ao seu grau de adiantamento. Uns têm por tarefa receber os homens em seu regresso à vida espiritual, guiá-los, ajudá-los a se desembaraçarem dos fluidos espessos que os envolvem; outros são encarregados de consolar, instruir as almas sofredoras e atrasadas. Espíritos químicos, físicos, naturalistas, astrônomos, prosseguem suas investigações, estudam os mundos, suas superfícies, suas profundezas ocultas, atuam em todos os lugares sobre a matéria sutil, que fazem passar por preparações, por modificações destinadas a obras que a imaginação humana teria dificuldades em conceber; outros se aplicam às artes, ao estudo do belo sob todas as suas formas; Espíritos menos adiantados assistem os primeiros nas suas tarefas variadas e servem-lhes de auxiliares. Grande número de Espíritos consagra-se aos habitantes da Terra e dos outros planetas, estimulando-os em seus trabalhos, fortalecendo os ânimos abatidos, guiando os hesitantes pelo caminho do dever. Aqueles que exerceram a Medicina e possuem o segredo dos fluidos curativos, reparadores, ocupam-se mais especialmente dos doentes. Mais bela dentre todas é a missão dos Espíritos de luz. Descem dos espaços celestes para trazer às humanidades os tesouros da sua ciência, da sua sabedoria, do seu amor. A sua tarefa é um sacrifício constante, porque o contato dos mundos materiais é penoso para eles; mas afrontam todos os sofrimentos por dedicação aos seus protegidos, para os assistirem nas suas provações e infiltrarem em seus corações as grandes e generosas intuições. É justo atribuir-lhes os lampejos de inspiração que iluminam o pensamento, as expansões da alma, a força moral que nos sustenta nas dificuldades da vida. Se soubéssemos a quantos constrangimentos se impõem esses nobres Espíritos para chegarem até nós, corresponderíamos melhor a suas solicitações, empregaríamos esforços enérgicos para nos desapegarmos de tudo o que é vil e impuro, unindo-nos a eles na comunhão divina. Nas horas de atribulações, é para esses Espíritos, para meus Guias bem-amados que voam meus pensamentos e meus apelos; é deles que sempre me têm vindo o amparo moral e as consolações supremas. Subi a custo os atalhos da vida; dura foi a minha infância. Cedo conheci o trabalho manual e os pesados encargos de família. Mais tarde, em minha carreira de propagandista, muitas vezes me feri nas pedras do caminho; fui mordido pelas serpentes do ódio e da inveja. E agora chegou para mim a hora crepuscular; vão subindo e rodeando-me as sombras; sinto que minhas forças declinam e os órgãos se enfraquecem. Nunca, porém, me faltou o auxílio de meus amigos invisíveis; nunca minha voz os evocou em vão. Desde meus primeiros passos neste mundo, a sua influência envolveu-me. É às suas inspirações que devo minhas melhores páginas e minhas expressões mais vibrantes. Compartilharam minhas alegrias e tristezas e, quando rugia a tempestade, eu sabia que eles estavam firmes ao meu lado, no meu caminho. Sem eles, sem seu socorro, há muito tempo que eu teria sido obrigado a interromper a minha marcha, a suspender o meu labor; mas suas mãos estendidas têm me amparado e dirigido na áspera via. Às vezes, no recolhimento do entardecer ou no silêncio da noite, suas vozes me falam, embalam, confortam; ressoam na minha solidão como vaga melodia. Ou, então, são sopros que passam, semelhantes a carícias, sábios conselhos ciciados, indicações preciosas sobre as imperfeições de meu caráter e os meios de remediá-las. Então esqueço as misérias humanas para comprazer-me na esperança de tornar a ver um dia os meus amigos invisíveis, de reunir-me a eles na luz, se Deus me julgar digno disso, com todos aqueles que tenho amado e que, do seio dos Espaços, me ajudam a percorrer a via terrestre. Ascenda para todos vós, Espíritos tutelares, entidades protetoras, meu pensamento agradecido, a melhor parte de mim mesmo, o tributo de minha admiração e de meu amor. A alma vem de Deus e volve a Deus, percorrendo o ciclo imenso dos seus destinos; mas, por mais baixo que tenha descido, cedo ou tarde, pela atração, sobe de novo para o infinito. Que procura ela ali? O conhecimento cada vez mais perfeito do universo, a assimilação cada vez mais completa de seus atributos – beleza, verdade, amor! E, ao mesmo tempo, uma libertação gradual das escravidões da matéria, uma colaboração crescente na obra de Deus. Cada Espírito tem, no espaço, sua vocação e segue-a com facilidades desconhecidas na Terra; cada um encontra seu lugar nesse soberbo campo de ação, nesse vasto laboratório universal. Por toda parte, tanto na amplidão como nos mundos, objetos de estudo e de trabalho, meios de elevação, de participação na obra eterna, se oferecem à alma laboriosa. Já não é o céu frio e vazio dos materialistas, nem mesmo o céu contemplativo e beato de certos crentes; é um universo vivo, animado, luminoso, cheio de seres inteligentes em via constante de evolução. Quanto mais os seres espirituais se elevam, tanto mais se acentua a sua tarefa, tanto mais aumentam de importância suas missões. Um dia, tomam lugar entre as almas mensageiras que vão levar aos confins do tempo e do espaço as forças e as vontades da Alma Infinita. Para o Espírito ínfimo, assim como para o mais eminente, não tem limites o domínio da vida. Qualquer que seja a altura a que tenhamos chegado, há sempre um plano superior a alcançar, uma nova perfeição a realizar. Para toda alma, mesmo a mais inferior, um futuro grandioso se prepara. Cada pensamento generoso que começa a despontar, cada efusão de amor, cada esforço que tende para uma vida melhor é como a vibração, o pressentimento, o apelo de um mundo mais elevado que a atrai e que, cedo ou tarde, a receberá. Todo ímpeto de entusiasmo, toda palavra de justiça, todo ato de abnegação repercute em progressão crescente na escala dos seus destinos. À medida que ela se vai distanciando das esferas inferiores, onde reinam as influências pesadas, onde se agitam as vidas grosseiras, banais ou culpadas, as existências de lenta e penosa educação, a alma vai percebendo as altas manifestações da inteligência, da justiça, da bondade, e sua vida torna-se cada vez mais bela e divina. Os murmúrios confusos, os rumores discordes dos centros humanos pouco a pouco vão se enfraquecendo para ela até se extinguirem de todo; ao mesmo tempo começa a perceber os ecos harmoniosos das sociedades celestes. É o limiar das regiões felizes, onde reina uma eterna claridade, onde paira uma atmosfera de benevolência, serenidade e paz, onde todas as coisas saem frescas e puras das mãos de Deus. A diferença profunda que existe entre a vida terrestre e a vida do espaço está no sentido de libertação, de alívio, de liberdade absoluta que desfrutam os Espíritos bons e purificados. Desde que se rompem os laços materiais, a alma pura desfere o vôo para as altas regiões. Lá, vive uma vida livre, pacífica, intensa, ao pé da qual o passado terrestre lhe parece um sonho doloroso. Na efusão das ternuras recíprocas, numa vida livre de males e necessidades físicas, a alma sente multiplicarem-se as suas faculdades, adquirirem uma penetração e uma extensão das quais os fenômenos de êxtase nos fazem entrever os velados esplendores. A linguagem do mundo espiritual é a das imagens e dos símbolos, rápida como o pensamento; é por isso que os nossos guias invisíveis se servem de preferência de representações simbólicas para nos prevenir, no sonho, de um perigo ou de uma desgraça. O éter, fluido brando e luminoso, toma com extrema facilidade as formas que a vontade lhe imprime. Os Espíritos comunicam-se entre si e compreendem-se por processos diante dos quais a arte oratória mais consumada, toda a magia da eloquência humana pareceriam apenas um grosseiro balbuciar. As Inteligências elevadas percebem e realizam sem esforço as mais maravilhosas concepções da arte e do gênio. Mas essas concepções não podem ser transmitidas integralmente aos homens. Mesmo nas manifestações medianímicas mais perfeitas, o Espírito superior tem de se submeter às leis físicas do nosso mundo e só vagos reflexos ou ecos enfraquecidos das esferas celestes, algumas notas perdidas da grande sinfonia eterna, é que ele pode fazer chegar até nós. Tudo é graduado na vida espiritual. A cada grau de evolução do ser para a sabedoria, para a luz, para a santidade, corresponde um estado mais perfeito de seus sentidos receptivos, de seus meios de percepção. O corpo fluídico, cada vez mais diáfano, mais transparente, deixa passagem livre às radiações da alma. Daí uma aptidão maior para apreciar, para compreender os esplendores infinitos; daí uma recordação mais extensa do passado, uma familiarização cada vez maior com os seres e as coisas dos planos superiores, até que a alma, em sua marcha progressiva, tenha atingido as máximas altitudes. Chegado a essas alturas, o Espírito tem vencido toda paixão, toda tendência para o mal, tem-se libertado para sempre do jugo material e da lei dos renascimentos, é a entrada definitiva nos reinos divinos, donde só voluntariamente descerá ao círculo das gerações para desempenhar missões sublimes. Nessas eminências, a existência é uma festa perene da inteligência e do coração; é a comunhão íntima no amor com todos aqueles que nos foram caros e conosco percorreram o ciclo das transmigrações e das provas. Ajuntai a isso a visão constante da eterna beleza, uma profunda compreensão dos mistérios e das leis do universo, e tereis uma fraca ideia das alegrias reservadas a todos aqueles que, por seus méritos e esforços, alcançaram os céus superiores. 

Compilado do livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor Autor: Léon Denis 

Sono e Sonhos (palestra)


Esforço e Oração


De vez em quando, surgem grupos religiosos que preconizam o absoluto retiro das lutas humanas para os serviços da oração. Nesse particular, entretanto, o Mestre é sempre a fonte dos ensinamentos vivos. O trabalho e a prece são duas características de sua atividade divina. Jesus nunca se encerrou a distância das criaturas, com o fim de permanecer em contemplação absoluta dos quadros divinos que lhe iluminavam o coração, mas também cultivou a prece em sua altura celestial. Despedida a multidão, terminado o esforço diário, estabelecia a pausa necessária para meditar, à parte, comungando com o Pai, na oração solitária e sublime. Se alguém permanece na Terra, é com o objetivo de alcançar um ponto mais alto, nas expressões evolutivas, pelo trabalho que foi convocado a fazer. E, pela oração, o homem recebe de Deus o auxílio indispensável à santificação da tarefa. Esforço e prece completam-se no todo da atividade espiritual. A criatura que apenas trabalhasse, sem método e sem descanso, acabaria desesperada, em horrível secura do coração; aquela que apenas se mantivesse genuflexa, estaria ameaçada de sucumbir pela paralisia e ociosidade.  A oração ilumina o trabalho, e a ação é como um livro de luz na vida espiritualizada. Cuida de teus deveres porque para isso permaneces no mundo, mas nunca te esqueças desse monte, localizado em teus sentimentos mais nobres, a fim de orares "à parte", recordando o Senhor. 

Pelo Espírito EMMANUEL Psicografia Francisco Cândido Xavier Livro: CAMINHO, VERDADE E VIDA